Vale de Cambra investe 124 mil euros para baixar taxa de insucesso escolar

A Câmara de Vale de Cambra pretende baixar em 25% a taxa de insucesso escolar no pré-escolar, primeiro e segundo ciclo até 2021 e investe 124 mil euros no projeto “Raízes”.

Cristina Maria Santos

A Câmara de Vale de Cambra formalizou a implementação do projeto “Raízes”, numa parceria com o Agrupamento de Escolas do Búzio, englobando os Planos Integrados e Inovadores de Combate ao Insucesso Escolar (PIICIE) da Área Metropolitana do Porto.

A dimensão do insucesso escolar no concelho foi contabilizada em três anos letivos do 1º ciclo. Em 2012/13, a taxa de retenção foi de 3%, em 2013/14, subiu para 3,2% e, em 2014/15, último ano letivo registado, a taxa de retenção do 1º ciclo foi de 3,6%, sendo estes os valores que o projeto pretende reduzir em, pelo menos, 25%.

“O levantamento foi feito de forma anónima e serviu para identificar, de forma objetiva, quais os principais obstáculos, para podermos intervir nos casos específicos de alunos que manifestam dificuldades ou risco de desenvolver percursos escolares negativos”, explicou ao Voz de Cambra, Elsa Fernandes, técnica de Ciências Sociais/Educação e responsável pelo projeto.

A meta traçada é de reduzir em 25% a taxa de reprovação dos alunos do 2.º ciclo e do 4.º ano do 1.º ciclo de escolaridade e ainda diminuir em 10% a taxa de alunos do 1º Ciclo com níveis negativos a, pelo menos, uma disciplina e dos alunos do 5º ano, do 2º Ciclo, com níveis negativos.

Ao todo serão cerca de 120 os alunos envolvidos num projeto “de e para todos” e que dará “frutos muito positivos”, garantiu a jovem valecambrense que voltou às raízes da terra natal para abraçar um projeto com o mesmo nome – “Raízes”.

“O projeto pretende combater o insucesso escolar no concelho e permite uma resposta de intervenção concertada entre os vários agentes educativos, trabalhando em rede”, frisou a técnica.

O “Raízes” conta com a parceria de atores sociais locais, como famílias, escola, instituições de solidariedade social, associações, que se vão juntar a uma equipa multidisciplinar composta por educadores sociais e psicólogos.

O gabinete de intervenção psicossocial – de acesso gratuito a respostas especializadas e ajustadas às necessidades identificadas – situa-se no Edifício Municipal da Câmara Municipal de Vale de Cambra, com o mesmo horário deste estabelecimento, mas este pode vir a ser alargado, mediante as necessidades das famílias, referiu ainda. O projeto tem ainda disponível um site com o mesmo nome, que explica todas ações a desenvolver até 2021.

De 4 a 10 de Setembro, foi levada a cabo a primeira ação de formação dirigida a assistentes operacionais e outras se seguirão, nomeadamente, ações de reflexão orientadas para comportamentos e práticas pedagógicas a ser adotadas por docentes, não docentes, cuidadores, referiu Elsa Fernandes.

Para formalizar o projeto, foi feita uma apresentação pública, no dia 13 de setembro, no Centro Cultural de Macieira de Cambra, no âmbito do colóquio de educação “Desafios do Século XXI”, iniciativa promovida pela autarquia valecambrense e que serviu para arranque do ano letivo em Vale de Cambra.

Ana Paula Silva, da Universidade Católica Portuguesa considerou este projeto “ambicioso” e que se propõe a “salvar muitas crianças” em Vale de Cambra.

Em declarações ao jornal Voz de Cambra, a vereadora com o pelouro da educação, Catarina Paiva definiu o “Raízes” como sendo um projeto que “vai dar resultados”.

“Vamos começar pela base. Há crianças e famílias que precisam ser trabalhadas desde o início. Sabemos que há muitas famílias que não conseguem orientar os filhos, sozinhas. Estou convicta que, em conjunto e com todos os agentes educativos concelhios, vamos conseguir reduzir o insucesso escolar em Vale de Cambra”, sublinhou.

O projeto terá a duração de três anos e será cofinanciado pelo programa Portugal 2020/Norte 2020, num investimento de mais de 124 mil euros.

Leia a notícia completa na edição em papel. 

 

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