Comissões de Proteção de Crianças e Jovens da região Aveiro/Norte com falta de recursos humanos e materiais

O concelho de Vale de Cambra recebeu o segundo encontro regional das CPCJ da zona Aveiro-Norte, que salientaram a importância de mais recursos humanos e materiais.

Cristina Maria Santos

O segundo Encontro InterCPCJ, que reuniu representantes das Comissões da região Aveiro-Norte (Vale de Cambra, S. João da Madeira, Arouca, Castelo de Paiva e Espinho) serviu para conhecer o trabalho no terreno e as dificuldades, como a falta de recursos humanos e materiais, de sensibilização para o trabalho destas comissões e do papel das comissões alargadas e das suas “obrigações”.

“Não é só a comissão restrita que tem obrigações, mas também a alargada e todos os cidadãos de um modo geral”, constatou a presidente, Catarina Paiva.

A também vereadora da Educação e Ação Social, da Câmara Municipal de Vale de Cambra lembrou ali, por exemplo, o papel da escola, enquanto “zeladora” destas crianças que passam grande parte da sua vida, em contexto escolar.

David Loureiro, fundador e durante 16 anos presidente da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) de Vale de Cambra, considerou que “ainda estamos muito longe do que é necessário”.

Os problemas identificados têm a ver com a falta de meios humanos e materiais para um melhor desempenho da função.

“Temos técnicos em número e tempo insuficientes, fraca disponibilidade dos presidentes eleitos, insuficiência de recursos logísticos, instalações com espaços reduzidos e sem garantia de privacidade, ausência de viatura disponível…”, entre muitos outros foram mencionados pelo ex-presidente da CPCJ valecambrense.

À comissão alargada, exigiu-se ali que não funcionasse apenas, quando impulsionada pela restrita.

As CPCJ’s são compostas pela comissão restritaque é vista como operacional, e a comissão alargada, que inclui a restrita e entidades sociais, escolas, autarquias, empresas.

“Numa comissão alargada com 20 membros é normal que só três ou quatro trabalhem”, declarou.

Mas, para isso, explica que também é necessário o apoio das entidades patronais, no que diz respeito à disponibilidade proporcionada.

David Loureiro atribuiu também responsabilidades à CPCJ nacional.

“A CPCJ nacional não está a fazer um esfoço para ouvir as Comissões”, explicou.

O responsável, que agora trabalha numa Unidade de Recursos Assistenciais Partilhados do Ministério da Saúde lembrou que é “uma missão” trabalhar com crianças e, como tal, é necessário criar grupos de trabalho coesos e formações.

O provedor da Santa Casa da Misericórdia de Vale de Cambra, António Pina Marques,também disse que o Governo devia apostar na prevenção “de forma profissionalizada”.

O responsável pela Misericórdia valecambrense disse sentir-se “indignado com a forma como, muitas vezes, os profissionais e as instituições são tratados” e constatou a falta de acompanhamento e prevenção do estadopara proteção de crianças e jovens.

Deu o exemplo de gabinetes de apoio à família que tenham contactado uma família problemática, apenas duas vezes, cujo processo veio a determinar uma intervenção.

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