Vale de Cambra abre “porta de entrada” para Ensino Superior

André Silva escolheu Vale de Cambra, como “porta de entrada” para o Ensino Superior. É um dos 20 alunos do primeiro curso técnico superior no concelho. Ele quer prosseguir estudos. Mas muitos deles querem ser recrutados por empresas valecambrenses.

Cristina Maria Santos

André Silva desloca-se todos os dias de Santa Maria da Feira para Vale de Cambra, para frequentar o curso de Automação, Robótica e Controlo Industrial. Com 19 anos e depois de concluído o 12.º ano, viu aqui a oportunidade de ingressar, mais facilmente, no Ensino Superior.

“Vim para este curso porque percebi que era uma “porta de entrada” mais rápida para prosseguir estudos superiores”, referiu o aluno.

Concluídos os dois anos com sucesso, este curso confere-lhe um diploma de Técnico Superior Profissional, com qualificação de nível 5 do Quadro Nacional de Qualificações, possibilitando-o a candidatar-se a licenciaturas em qualquer universidade do país, mas com “privilégios” de ingresso no ISEP, com dispensa das provas de acesso e creditação parcial da formação adquirida.

“Estes alunos podem ingressar diretamente nas licenciaturas em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores e Engenharia Eletrotécnica – Sistemas Elétricos de Energia do ISEP”, frisou o diretor do curso, Rui Chibante.

Os 20 alunos deste curso ficam preparados para, de forma autónoma ou em equipa, serem capazes de conceber, programar, planear e coordenar atividades de produção, equipamentos e pessoas. A sua formação recorre a sistemas automatizados, células de fabrico robotizadas, sistemas de controlo de processos industriais centralizados e assistidos por computador, tendo em vista a otimização da quantidade e qualidade da produção.

Para isso, algumas das salas da Escola Tecnológica de Vale de Cambra foram equipadas para receber esta formação.

“Este laboratório vai ser usado com intensidade. Temos aqui os equipamentos básicos e transversais a várias áreas deste curso. O curso tem uma importante componente prática e laboratorial de alto nível, já pensada para dar equivalência direta às licenciaturas”, explicou ainda o também professor do curso.

Este é o primeiro Curso Técnico Superior Profissional (CTeSP) a abrir em Vale de Cambra, constituindo uma nova oferta de cursos superiores, que se assumem como um passo para todos aqueles que querem melhorar a sua situação profissional.

Mas nem todos pretendem prosseguir estudos. Grande parte dos alunos deste curso – na sua maioria vindos da região Entre Douro e Vouga e da Área Metropolitana do Porto – vão optar por entrar para o mercado de trabalho, acreditando que este será já um dado adquirido.

“Os alunos que não prosseguirem estudos irão ficar bem preparados, uma vez que, estamos a falar de um curso de dois anos, com 120 créditos, que corresponde a dois terços do que, o Sistema Europeu de Transferência de Créditos – ECTS, desenvolvido pela Comissão Europeia, exige a uma licenciatura”.

Os cursos Técnicos Superiores Profissionais (TeSP) têm uma componente de formação em contexto de trabalho que está assegurada através dos contactos que foram estabelecidos com parceiros empresariais da região, dando ao aluno uma oportunidade de integração profissional mais rápida.

“Trata-se de uma boa parte de um curso de licenciatura, com um estágio curricular no 4.º semestre, em empresas de Vale de Cambra, com quem já estabelecemos protocolos e se encontram preparadas para os receber”, garantiu Rui Chibante.

“As mais valias são reforçar a capacidade profissional das pessoas e, com isso, reforçar a competência técnica das empresas e colmatar as necessidades de mão de obra qualificada no concelho”, referiu ainda.

Para o presidente da Câmara, o envolvimento das empresas nesta formação é fundamental.

“Eu acredito que antes de terminarem os cursos, estes jovens já tenham garantia de emprego e isso é muito bom para quem está a fazer formação, fazê-lo não na perspetiva do desemprego, mas do emprego”, reforçou José Pinheiro.

Próximo ano letivo vão abrir seis cursos

Neste ano letivo, este foi o único curso que arrancou no concelho, dos cinco já protocolados, mas as entidades envolvidas neste processo garantem que, no próximo ano, vão abrir os cursos de: Energia, Eficiência e Sustentabilidade; Georrecursos, construção e ambiente; Sistemas Eletromecânicos; e Tecnologia Mecânica e dois novos cursos, na área da informática.

“Acredito que, no próximo ano, podemos fazer crescer o ensino superior em Vale de Cambra. Vamos procurar fazer uma maior divulgação, envolver os industriais, ter mais cursos com maior procura e, com isso, vamos ter mais turmas, mais jovens, de Vale de Cambra ou não. O que importa é que eles venham para cá e façam crescer e desenvolver a economia”, referiu o presidente da Câmara.

Para José Pinheiro, este é o primeiro passo para que outros cursos na área do Ensino Superior se possam instalar em Vale de Cambra.

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Escola Tecnológica de Vale de Cambra

Instalações antigas e alugadas preocupam Autarquia

As instalações alugadas da Escola Tecnológica de Vale de Cambra, que suportam agora os CTeSP, mas também vários cursos de formação há mais de 20 anos, são preocupação da Autarquia.

“Temos de nos preocupar com o facto da Escola Tecnológica estar a funcionar em instalações alugadas. Vamos ter de pensarem melhores instalações, mas primeiro temos de analisar bem a situação, porque não importa ter instalações e não termos formações. Temos de tentar equilibrar e fazer tudo de forma racional”, referiu José Pinheiro ao jornal Voz de Cambra.

Há mais de 20 anos a formar profissionais

João Meixedo, presidente da Associação para a Formação e Especialização Tecnológica (FORESP), congratulou-se com a abertura destes cursos na Escola Tecnológica de Vale de Cambra, instituição formada em 1998 por esta Associação.

“O ensino superior é, finalmente, uma realidade em Vale de Cambra, após décadas de luta da FORESP, diversos executivos da Câmara Municipal de Vale de Cambra, alguns empresários do concelho, o ISEP e o Instituto Politécnico do Porto”, declarou ao jornal Voz de Cambra.

O presidente desta instituição lembrou ainda o papel que tem tido a Escola Tecnológica na formação de muitos profissionais ao longo de 20 anos de existência.

“É importantíssimo, para uma instituição que surgiu da vontade do ISEP, IPP, da Câmara Municipal e principal tecido empresarial, para dar um impulso na formação de todos quantos trabalham neste caso de estudo a nível nacional, que é Vale de Cambra e os municípios envolventes; ter começado com cursos de nível 3, e ter vindo a evoluir paulatinamente até ao ensino superior; construindo sempre cursos de “alfaiate”, ouvindo sempre as necessidades dos empresários”, explicou.

“Para além da enorme mais-valia para as empresas, a formação que tem, ao longo de mais de duas décadas vindo a ser ministrada aos seus profissionais, alguns deles, hoje são reputados engenheiros de empresas de enorme prestígio”, frisou.

Cursos de Especialização Tecnológica (CETs) com 153 formandos

Alberto Teixeira, diretor da Escola Tecnológica de Vale de Cambra lembrou também a importância que os Cursos de Especialização Tecnológica (CETs) de nível 5 têm tido ao longo dos anos, com mais de uma centena de formandos, este ano letivo.

“A Escola tem em funcionamento nove turmas repartidas pelos cursos de: Gestão da Qualidade, Ambiente e Segurança (três turmas); Gestão de Redes e Sistemas Informáticos (uma turma); Tecnologia Mecatrónica (duas turmas); Automação, Robótica e Controlo Industrial (duas turmas); e Gestão da Produção – Supervisor de Produção (uma turma), desenvolvidas no regime laboral e pós laboral, abarcando 153 formandos”, referiu.

O diretor informou ainda que, os novos cursos de Especialização Tecnológica (CETs) funcinarão em breve, com a abertura do concurso para financiamento desta tipologia de operação, por parte do NORTE2020.

Capacitação para a inclusão

Esta Escola tem ainda uma componente de inclusão, tendo, neste momento, em desenvolvimento, três cursos de 300 horas cada, uma formação financiada pelo POISE – Programa Operacional Inclusão Social e Emprego, destinada a públicos potencialmente vulneráveis, com escassos rendimentos e baixos níveis académicos.

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