Francisco Vilar: “Venham e ouçam, que a música vai falar por si mesma”

“Venham e ouçam, porque depois de começar o concerto, a música vai falar por si mesma”

“Venham e ouçam” é o melhor conselho que Francisco Vilar tem para dar à população de Vale de Cambra, mas também a todos os que quiserem assistir ao Festival de Música Internacional, organizado pelo jovem músico valecambrense que, este ano, traz consigo alguns dos mais reconhecidos nomes da música no mundo.

Cristina Maria Santos

Vai organizar, pela segunda vez, um Festival de Música Internacional em Vale de Cambra, sua terra natal. Porque acha importante organizar este evento numa cidade do interior/litoral, em Portugal?

Acho que o facto de ser interior/litoral não tem necessariamente a ver com a necessidade de criar este tipo de evento. No entanto, acho que em Portugal, uma boa parte dos sítios fora de grandes centros sofrem duma falta de cultura, especialmente que envolva músicos proeminentes no mundo musical da atualidade, e é isso o que estou a tentar trazer cá. Claro que há exceções como por exemplo Arouca, Ponte de Lima, Viseu. Acho que trazer um evento deste género a uma audiência com menos contacto com o género, é uma oportunidade não só para o público, mas também para nós. Podemos explorar diferentes tipos de programação e reportório, e sair um bocadinho do que normalmente se ouviria em grandes salas pelo país, onde a expectativa por parte do público está muito mais definida. Fazer as pessoas simplesmente ouvir.

Disse, na última entrevista que lhe fiz, que gostava de colocar Vale de Cambra no mapa do panorama musical nacional e internacional. Acha que, desta forma, o vai conseguir fazer?

Acho que está no bom caminho. Claro que, em apenas um ano, não é possível fazer uma diferença muito significativa, estes tipos de eventos crescem a longo prazo e é preciso pensar cada vez mais ambiciosamente para se crescer. Acho que continuando vamos gradualmente atrair mais e mais atenção criando também uma atitude e resposta na cidade em si. A atitude por parte da organização e receção por parte do público parece-me estar no caminho certo. Temos de ter uma mente aberta e pensar em cinco anos, sete anos, até mesmo dez.

Continua a achar que Vale de Cambra podia fazer mais para valorizar os talentos musicais locais?

Como disse da última vez, acho que todos os locais precisam de o fazer mais, especialmente em Portugal. Está a mudar gradualmente para o bom sentido e está cada vez a ser mais valorizado, acho que é uma altura excitante para se estar em Portugal como músico, pois está cada vez mais a crescer. Acho que não se resume apenas a um concelho, mas sim uma atitude geral. Não só músicos locais, mas o país como um todo apostar em música, e quando isso começa a ser feito, os músicos locais virão. Com este Festival, Vale de Cambra contribui já bastante bem para isto.

Quais as expectativas para este segundo evento?

Acho que, este ano, temos uma maior cobertura pelos media. Há mais aposta em cobertura fora do concelho e, pessoalmente, conheço bastante gente de fora que vai estar presente. Espero então mais atenção no geral e a minha expectativa para os concertos é enorme. Exploramos formatos de grupos que não é muito comum encontrar nas principais salas de concerto. Piano a quatro mãos, conjunto de saxofone e acordeão a tocar reportório erudito, vai ser interessante.

Como foi organizar este evento e trazer cá alguns dos melhores músicos a nível internacional?

Claro que organizar um evento assim é sempre stressante e é preciso lidar com muita coisa. Lidar com contratar músicos e tratar de programas, localizações, datas, por vezes não é fácil. Felizmente tenho a ajuda da Vera Fonte e do Wynton Guess, os outros dois organizadores, igualmente importantes na organização. Também a Câmara Municipal tem um enorme relevo na organização do festival. Acompanham-nos em todo o processo e estamos em contacto constante. Fizeram uma excelente campanha promocional e sem eles não teríamos acesso a aluguer de pianos, produção de palco, em que estiveram muito bem o ano passado e claro que sem estarem abertamente recetivos à ideia, o festival não seria possível.

Como tem evoluído na música estes últimos anos?

Estou a tentar apostar bastante em mim este ano, a lançar-me, diria eu. Estive quatro anos a evoluir e, este ano, decidi apostar e tentar fazer o maior número de eventos possível. Concursos, promotores, concertos, mas só o futuro o dirá. Mas, nos últimos anos, definitivamente evoluí bastante como pessoa e músico, com a ajuda de grandes professores e rodeado por um ambiente de trabalho saudável e de alto nível.

Que mensagem quer deixar aos valecambrenses para este evento?

A única mensagem que podia deixar é venham e ouçam. Acaba por ser tão simples quanto isso. Porque depois de começar o concerto, a música vai falar por si mesma.

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