Dominic Doutney: “Já estive em Vale de Cambra e adorei o espírito de comunidade que se sente aqui, coisa que não senti tanto crescendo em Londres”

Festival Internacional de Música em Vale de Cambra

Entrevista com Dominic Doutney, músico recitador e solista

“Já estive em Vale de Cambra e adorei o espírito de comunidade que se sente aqui, coisa que não senti tanto crescendo em Londres”

O jornal Voz de Cambra entrevistou  Dominic Doutney, um dos músicos que vai estar presente no Festival de Música Internacional de Vale de Cambra, nos dias 5, 6 e 7 de abril. O jovem músico, que está a estudar em Londres, tem desenvolvido uma carreira como recitador e solista de orquestra e vem a Vale de Cambra, pela segunda vez. Aqui espera viver uma experiência de “grande qualidade musical”. Dominic Doutney vai atuar no dia 5 de abril, no Centro Cultural, às 21h30.  

Cristina Maria Santos

Quais as expectativas para este Festival?

Espero ouvir uma grande qualidade musical por parte de diferentes artistas. Espero também passar um tempo bom e relaxado neste local adorável.

O que conhece de Portugal em termos musicais? Qual a sua opinião sobre a música portuguesa?

Gosto bastante de fado, ao que fui introduzido o ano passado. Gosto particularmente do sentimento de saudade que emula cada música; para mim captura o espírito dos portugueses mais do que qualquer outro tipo de música portuguesa. Em termos de música clássica, ouvi recentemente obras de Freitas-Branco, um compositor excelente. António Fragoso tinha uma obra impressionante na altura da sua morte prematura aos 21, mostrando um enorme potencial; gosto particularmente do seu noturno em Ré bemol. Gosto da primeira sinfonia de António Vitorino d’Almeida, cheia de charme e perspicácia. Precedente a este tempo, há muito a admirar na obra para cravo de Carlos Seixas.

Acha que em Portugal se tem valorizado a música clássica?

Portugal produziu alguns dos melhores músicos do mundo. Somente em piano, Maria João Pires e Artur Pizarro são dois pianistas de classe mundial. Na parte de composição, apesar de música clássica ter sido dominada por compositores austro-germânicos e, em parte, França e Itália, agora um número de composições portuguesas estão a emergir. Acho que é muito bom que alguns dos concursos de piano de alto nível em Portugal exijam que se interprete uma obra portuguesa, assim que nos encoraja a tocar obras que são subestimadas dando-lhes o destaque que merecem.

Já ouviu falar de Vale de Cambra? O que tem a dizer do pianista Francisco Vilar?

Bem, na verdade eu já estive em Vale de Cambra. Vim há alguns anos para visitar o Francisco e adorei o espírito de comunidade que se sente aqui, coisa que não senti tanto crescendo em Londres. A Nurry e eu somos amigos do Francisco desde o início da licenciatura, há quase cinco anos. É um tipo “porreiro”. Muito bom músico e uma pessoa sociável. Estamos agradecidos que nos tenha pedido para tocar neste festival.

 

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