{"id":2486,"date":"2021-03-05T16:07:31","date_gmt":"2021-03-05T16:07:31","guid":{"rendered":"http:\/\/avozdecambra.pt\/?p=2486"},"modified":"2021-03-05T16:07:32","modified_gmt":"2021-03-05T16:07:32","slug":"no-rescaldo-das-eleicoes-presidenciais","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/avozdecambra.pt\/?p=2486","title":{"rendered":"No rescaldo das elei\u00e7\u00f5es presidenciais\u2026"},"content":{"rendered":"\n<p>A meu ver, votar \u00e9 um ato de amor. Amor para com as gera\u00e7\u00f5es futuras que n\u00e3o merecem um mundo arruinado pelas nossas decis\u00f5es eleitorais ou falta delas e amor para com os nossos antepassados que tanto lutaram para que as suas vozes pudessem ser ouvidas, ainda que oprimidos pela ditadura, obrigados a lutar na Guerra Colonial numa causa que n\u00e3o era a sua, sendo muitos deles presos e torturados na sua luta pela liberdade, sendo que esta \u00faltima s\u00f3 lhes foi devolvida na Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos. S\u00f3 depois do 25 de Abril de 1974 os nossos antepassados puderam escolher livremente quem os representasse politicamente por sufr\u00e1gio universal e lhes desse uma vida melhor.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, votar tamb\u00e9m \u00e9 uma arma. E poderosa. Com o nosso voto podemos usar essa arma para a estabilidade e cumprimento da democracia ou para alimentar o fogo dos extremismos e populismos, eternas armadilhas antidemocr\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, o que mais me entristece \u00e9 saber que h\u00e1 pessoas que escolhem nem lutar pelo futuro nem honrar o passado, n\u00e3o querendo saber do poder que a arma do direito de voto lhes confere. Esquivam-se a responsabilidades, inventam desculpas; n\u00e3o h\u00e1 culpa que os morda. Muitos deles s\u00e3o abstencionistas que pensam que ao n\u00e3o ir votar est\u00e3o at\u00e9 a castigar os pol\u00edticos, numa esp\u00e9cie de vingan\u00e7a sem qualquer sentido utilit\u00e1rio. Uma ideia estapaf\u00fardia de mentes reduzidas, \u00e9 o que \u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>Estas elei\u00e7\u00f5es presidenciais foram, como j\u00e1 se sabe, marcadas pela absten\u00e7\u00e3o. \u00c9 certo que muitos cidad\u00e3os portugueses n\u00e3o puderam ir votar por estarem em isolamento profil\u00e1tico, de quarentena ou por estarem hospitalizados devido ao Covid e, desses, nada tenho a dizer, como \u00e9 claro.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, causada pela pregui\u00e7a de valores, a absten\u00e7\u00e3o s\u00f3 abre espa\u00e7o para ideias populistas radicais que se alimentam avidamente da ignor\u00e2ncia do pr\u00f3ximo, convertendo-o para as suas causas ou usando-o nas estat\u00edsticas fantasiosas e propagandistas dos seus partidos. E \u00e9 aqui que partidos como o Chega e candidatos presidenciais como o Andr\u00e9 Ventura v\u00e3o ganhando terreno, afirmando que o pa\u00eds necessita de uma nova lideran\u00e7a, porque o povo portugu\u00eas n\u00e3o est\u00e1 satisfeito, como apontam as estat\u00edsticas X e Y.&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Contudo, pior do que os abstencionistas, s\u00e3o os eleitores n\u00e3o esclarecidos, ou, por outras palavras, os que se deixam levar pelas falinhas mansas de algu\u00e9m que parece inteligente e poderoso. Esses s\u00e3o o maior perigo que uma na\u00e7\u00e3o pode enfrentar. Eleitores que se deixam vender ao que pensam ser o peixe melhor e mais barato (coisa que n\u00e3o existe) e votam no candidato mais versado nas suas fantasias, nos seus saudosismos, nas suas vaidades. Estas elei\u00e7\u00f5es presidenciais foram prova disso: pelos vistos 500.000 portugueses votaram em Andr\u00e9 Ventura. Com certeza tudo boa gente, est\u00e1 claro, uns bons velhos&nbsp;fascistas que nunca estiveram em Peniche ou no Tarrafal e que gostavam de sublinhar a azul os textos que liam.<\/p>\n\n\n\n<p>Enfim, (e sem qualquer simpatia ideol\u00f3gica de minha parte a n\u00e3o ser a democr\u00e1tica) tal grave foi o caso que at\u00e9 o Alentejo, desde sempre de grande tradi\u00e7\u00e3o eleitoral comunista, se deixou seduzir pelo candidato mais falacioso destas presidenciais e de extrema-direita, isto em tempos de desespero como estes em que vivemos. Algo simplesmente deplor\u00e1vel, pois \u00e9 nestes tempos que este tipo de fen\u00f3menos acontecem. Em suma, as ila\u00e7\u00f5es que podemos e devemos retirar destas elei\u00e7\u00f5es presidenciais \u00e9 que a democracia (apesar de ter ganho o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa com esmagadora maioria) nunca est\u00e1 completamente assegurada e segura e que a \u00fanica forma de proteger o nosso pa\u00eds e a nossa heran\u00e7a democr\u00e1tica aos mais novos e prestar tributo aos mais velhos \u00e9 votar esclarecidamente; por outras palavras, saber em quem se est\u00e1 a votar e o que esse candidato prop\u00f5e em concreto no seu programa eleitoral, tendo sempre em conta que o desespero \u00e9 sempre mau conselheiro em termos de pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 desta forma, atentos e vigilantes, podemos assegurar-nos de que temos as condi\u00e7\u00f5es ideais para lutar pelos valores democr\u00e1ticos que trazem paz e progresso ao nosso pa\u00eds.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A meu ver, votar \u00e9 um ato de amor. 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