{"id":2571,"date":"2021-03-17T20:42:23","date_gmt":"2021-03-17T20:42:23","guid":{"rendered":"http:\/\/avozdecambra.pt\/?p=2571"},"modified":"2021-03-17T20:42:24","modified_gmt":"2021-03-17T20:42:24","slug":"a-importancia-do-projeto-cultural-das-cidades","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/avozdecambra.pt\/?p=2571","title":{"rendered":"A import\u00e2ncia do projeto cultural das cidades"},"content":{"rendered":"\n<p>Definir cultura sempre foi e sempre ser\u00e1 uma miss\u00e3o demasiado ousada para um ser singular, principalmente porque Cultura \u00e9 um conceito plural e que, portanto, varia consoante a propriedade de cada um perante a mesma, pelo que n\u00e3o irei tentar defini-la neste espa\u00e7o. No entanto, sinto-me suficientemente confort\u00e1vel para dizer v\u00e1rias coisas sobre a Cultura, nomeadamente que ela abrange todas as atividades que ajudam os grupos de pessoas, as sociedades ou mesmo as civiliza\u00e7\u00f5es a se identificarem com o s\u00edtio onde est\u00e3o, dando-lhes um sentimento de perten\u00e7a e criando a t\u00e3o famosa identidade cultural. Tendo esta que ter necessariamente uma capacidade transformadora e agregadora, fazendo-nos pensar sobre n\u00f3s, os nossos e o nosso contexto, despontando com isto um positivo sentido cr\u00edtico nas pessoas. Pode a Cultura ser vista tamb\u00e9m de uma forma mais conceptual, sendo esta derivada das palavras em latim colere e culturae, onde no primeiro caso se refere \u00e0 a\u00e7\u00e3o de cultivar, cuidar e crescer (as planta\u00e7\u00f5es); e de tratar ou cultivar a mente e os conhecimentos no segundo caso. Rapidamente podemos perceber a analogia criada entre o cuidado com a planta\u00e7\u00e3o e o desenvolvimento das capacidades intelectuais e educativas das pessoas.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Podemos perceber ent\u00e3o com estas afirma\u00e7\u00f5es que a cultura \u00e9 mais do que aquilo a que normalmente associamos, e, portanto, desempenha um papel fundamental nas funda\u00e7\u00f5es e nas defini\u00e7\u00f5es das sociedades. Da\u00ed defender que os projetos culturais s\u00e3o t\u00e3o importantes como por exemplo os projetos educativos e que t\u00eam que ser desenvolvidos a n\u00edvel nacional, mas tamb\u00e9m a n\u00edvel local nas v\u00e1rias regi\u00f5es ou concelhos, para que se adaptem \u00e0s circunst\u00e2ncias do mesmo. E Vale de Cambra n\u00e3o pode ser uma exce\u00e7\u00e3o, sendo fundamental come\u00e7ar a pensar qual o projeto cultural que se quer para a cidade. Escusado ser\u00e1 dizer que a iniciativa deveria de partir das autarquias e das pessoas respons\u00e1veis pelos pelouros culturais, que t\u00eam que ter a capacidade e o conhecimento da import\u00e2ncia desse projeto, de como o desenvolver e de como o sustentar, sempre obviamente com o apoio das associa\u00e7\u00f5es culturais e das pessoas singulares da \u00e1rea da cultura. Para que o projeto seja de sucesso e para isso tem que ser projetado a v\u00e1rios anos, acho importante que este seja suprapartid\u00e1rio, ou seja, gerido, pensado e coordenado por pessoas, associa\u00e7\u00f5es ou gabinetes fora do poder pol\u00edtico para que sobreviva a eventuais e inevit\u00e1veis trocas nos v\u00e1rios mandatos das c\u00e2maras.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o irei abordar de forma muito espec\u00edfica nesta rubrica o que eu defino como um bom projeto cultural ou aquilo que ser\u00e1 um bom projeto cultural para a nossa cidade, primeiro porque n\u00e3o existe uma verdade absoluta de como o fazer e segundo porque esta rubrica j\u00e1 est\u00e1 demasiado extensa. Mas talvez o fa\u00e7a numa pr\u00f3xima oportunidade. No entanto, posso deixar algumas reflex\u00f5es muito resumidas daquilo que podem ser bons pensamentos de um projeto cultural e vice-versa. Um bom projeto cultural n\u00e3o pode ser caracterizado por um punhado de atividades soltas sem um fim maior, que se tornam repeti\u00e7\u00f5es de si mesmas e que servem somente para entreter as pessoas. N\u00e3o pode ser marcado em primeira inst\u00e2ncia pela constru\u00e7\u00e3o de edif\u00edcios com fachadas bonitas e impetuosas, mas completamente vazio por dentro de um prop\u00f3sito cultural. Mas sim suportado pela preocupa\u00e7\u00e3o de integrar num modelo simbi\u00f3tico as mais valias culturais da cidade, sejam elas associa\u00e7\u00f5es ou pessoas singulares. Suportado por uma finalidade maior do que o habitual retorno financeiro, tendo este que ser substitu\u00eddo por atividades que proporcionem resultados transformadores e agregadores na sociedade e atividades que fa\u00e7am com que as pessoas se sintam ligadas ao local e que se sintam parte do mesmo e que n\u00e3o sejam apenas profiss\u00f5es desta cidade t\u00e3o industrializada.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Exatamente sobre o que Saramago reflete no seu livro A Caverna, onde recupera a alegoria da caverna de Plat\u00e3o para discutir sobre uma sociedade onde as pessoas se tornam apenas profiss\u00f5es, ou seja, apenas sombra.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Definir cultura sempre foi e sempre ser\u00e1 uma miss\u00e3o demasiado ousada para um ser singular, principalmente porque Cultura \u00e9 um conceito plural e que, portanto, varia consoante a propriedade de cada um perante a mesma, pelo que n\u00e3o irei tentar defini-la neste espa\u00e7o. 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