{"id":3201,"date":"2021-06-08T10:52:00","date_gmt":"2021-06-08T10:52:00","guid":{"rendered":"http:\/\/avozdecambra.pt\/?p=3201"},"modified":"2021-06-11T11:20:06","modified_gmt":"2021-06-11T11:20:06","slug":"entusiasmo-muita-dedicacao-e-vencendo-vicissitudes-varias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avozdecambra.pt\/?p=3201","title":{"rendered":"\u201cEntusiasmo, muita dedica\u00e7\u00e3o e vencendo vicissitudes v\u00e1rias\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Tudo come\u00e7ou com o sonho de ser jornalista. Adolfo Coutinho, juntamente com o professor Gon\u00e7alo Pinho, fundaram o jornal Voz de Cambra que, este ano, completa meio s\u00e9culo de vida. O que os motivou na sua cria\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m o que pensam hoje da sua edi\u00e7\u00e3o, foi o que quisemos saber, em entrevista a Adolfo Coutinho que, depois do jornalismo, tem lan\u00e7ado v\u00e1rios livros, o seu \u00faltimo, \u201cAlminhas de Cambra\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como surgiu a ideia de editar um jornal em Vale de Cambra?<\/strong><br>Quando eu tinha os meus doze ou treze anos de idade e frequentava o Externato Cambrense, o senhor Padre Maur\u00edcio, nosso professor de Portugu\u00eas, mandou-nos fazer uma reda\u00e7\u00e3o sobre coisas da nossa inf\u00e2ncia, ent\u00e3o passada num meio rural.<\/p>\n\n\n\n<p>Lembro-me que descrevi, de forma simples, mas com sentimento algo po\u00e9tico, o amanhecer visto da janela do meu quarto, numa manh\u00e3 fria de Inverno, com um melro-de-bico-amarelo \u00e0 cata de minhocas e outros insetos, saltitando sobre as leivas de terra fresca cobertas por uma camada de geada branca a que, ent\u00e3o, cham\u00e1vamos \u201cneve\u201d. O melro, no seu piar forte e agudo, rondava a cani\u00e7ada que eu tinha armado no meu quintal, como que querendo dizer-me: &#8211; A mim n\u00e3o me apanhas\u2026 n\u00e3o vou cair na tua armadilha!\u2026E a minha reda\u00e7\u00e3o continuava com alegorias algo po\u00e9ticas, que o Padre Maur\u00edcio elogiou e leu perante uma turma de alunos, algo surpresos. -Temos aqui um futuro artista\/escritor \u2013 disse ele, sorrindo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O seu sonho era ser jornalista?<\/strong><br>Sim, foi ent\u00e3o que surgiu o sonho de ser jornalista. O meu tio, professor Tomaz Coutinho, recebia \u201cO Jornal de Cambra\u201d, impresso em Estarreja e que eu lia, de fugida, quando ia at\u00e9 sua casa. Pensei, ent\u00e3o, e comecei a enviar para Estarreja alguns pequenos textos e not\u00edcias que, para meu natural orgulho, come\u00e7aram a ser editados naquele Jornal. Isso prolongou-se por v\u00e1rios anos, at\u00e9 que, por volta de 1971, querendo trazer o t\u00edtulo daquele peri\u00f3dico para Vale de Cambra, juntamente com o meu parente e amigo professor Gon\u00e7alo Pinho, inici\u00e1mos um projeto de melhoria e mudan\u00e7a de sede do \u201cJornal de Cambra\u201d. N\u00e3o sendo poss\u00edvel concretizar essa nossa pretens\u00e3o e porque j\u00e1 t\u00ednhamos assumido v\u00e1rios compromissos, tivemos de criar um novo \u00f3rg\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o, \u201cA Voz de Cambra\u201d, cujo primeiro n\u00famero foi editado em 15 de maio de 1971.<\/p>\n\n\n\n<p>Com entusiasmo, muita dedica\u00e7\u00e3o e vencendo vicissitudes v\u00e1rias, mantive-me \u00e0 frente da \u201cVoz de Cambra\u201d at\u00e9 2002, altura em que o jornal passou a ser gerido por outras pessoas, com a jornalista Cristina Maria Santos a imprimir-lhe uma nova imagem, que muito me agrada.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a0<strong>J\u00e1 escreveu v\u00e1rios livros sobre a sua freguesia, mas tamb\u00e9m sobre Vale de Cambra. O que o leva a continuar a escrever sobre esta tem\u00e1tica?<\/strong><br>Liberto da responsabilidade de editar, quinzenalmente, \u201cA Voz de Cambra\u201d, e ao escrever as minhas \u201cMem\u00f3rias\u201d, surgiu a ideia de aprofundar o conhecimento das minhas origens. Iniciei, ent\u00e3o, uma pesquisa que me levou \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de uma Base de Dados de Genealogia que re\u00fane informa\u00e7\u00f5es de muitos milhares de indiv\u00edduos, sobretudo naturais e residentes em Castel\u00f5es, e tamb\u00e9m de Vale de Cambra e de outras localidades. Com esses dados preparei e publiquei uma s\u00e9rie de livros com o t\u00edtulo gen\u00e9rico de \u201cCastelonenses ilustres\u201d, a saber: Volume I em 2004; Vol. II em 2005; Vol. III em 2006; Vol. IV em 2007; Vol. V em 2008; Vol. VI em 2009, Vol. VII em 2010; e Vol. VIII em 2011.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a0<strong>Recentemente publicou \u201cRefojos\u201d que tem sido muito solicitado. De que trata essa publica\u00e7\u00e3o?<\/strong><br>A ideia de preparar este livro surgiu ao ver, no Facebook, umas fotografias que mostravam ru\u00ednas de uma antiga casa senhorial de Refojos e, tal como me aconteceu a mim, v\u00e1rios frequentadores das redes sociais logo fizeram diversos coment\u00e1rios sobre aquele local e pessoas importantes que antigamente ali moraram.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu pr\u00f3prio me interroguei: Como seria Refojos noutros tempos? Quem construiu e morou naqueles solares, agora em ru\u00ednas? Ser\u00e1 que, conforme v\u00e1rias vezes ouvi dizer, Lopo Soares de Albergaria, Vice-Rei da \u00cdndia, andou por ali,?<\/p>\n\n\n\n<p>Feitas algumas pesquisas, de imediato conclui que Lopo Soares de Albergaria, Vice-Rei da \u00cdndia, nascido em Lisboa cerca de 1442, contrariamente ao que se dizia em Vale de Cambra, n\u00e3o ter\u00e1 vivido em Refojos.<\/p>\n\n\n\n<p>Prosseguindo as pesquisas a partir de Crist\u00f3v\u00e3o Tavares, o Velho, nascido em 1550 em Refojos, onde casou, encontrei muitos dos seus descendentes ligados ao&nbsp;patrim\u00f3nio e gentes de Refojos&nbsp;(t\u00edtulo deste livro). Nesses seus antepassados aparecem alguns indiv\u00edduos com o nome Lopo Soares de Albergaria, mas nenhum deles foi Vice-Rei da \u00edndia.<\/p>\n\n\n\n<p>Esclarecida esta d\u00favida, achei que seria interessante saber mais acerca destes solares em ru\u00ednas e sobre quem ali viveu. E foi ent\u00e3o que, seguindo alguns registos escritos e aproveitando mem\u00f3rias de pessoas familiares de antigos caseiros daquela propriedade e que por ali brincaram em crian\u00e7a, consegui reconstruir a hist\u00f3ria do local, que fica escrita no livro&nbsp;Refojos, possivelmente com alguns erros (que pe\u00e7o me desculpem) e com muitas informa\u00e7\u00f5es involuntariamente omissas, por falta de conhecimento pr\u00f3prio e por compreens\u00edveis falhas de mem\u00f3ria das pessoas com quem falei.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sabemos que preparou e acaba de editar um livro com o t\u00edtulo \u201cAlminhas de Cambra\u201d. De que trata em concreto, este novo livro?<\/strong><br>A ideia de preparar este livro surgiu quando, ao ver imagens de umas \u201calminhas\u201d que Cid\u00e1lia B\u00e9rtola colocou nas redes sociais (\u00e0 semelhan\u00e7a do que aconteceu com \u201cRefojos\u201d), pensei reproduzir aquela publica\u00e7\u00e3o, interrogando os cibernautas sobre a identifica\u00e7\u00e3o dessas \u201calminhas\u201d, qual o local onde se encontram, quem as ter\u00e1 mandado erigir, quando e porqu\u00ea.<\/p>\n\n\n\n<p>Os coment\u00e1rios surgiram de imediato, em grande quantidade e com notas interessantes, muitas das quais eu desconhecia. E eu, que pouco sabia sobre este assunto, que n\u00e3o sou etn\u00f3grafo, mas um simples curioso, logo pensei reunir o material poss\u00edvel e organizar uma publica\u00e7\u00e3o que possa elucidar outros Cambrenses, como eu tamb\u00e9m curiosos leitores de dados que possam perpetuar e tornar mais conhecida a cultura popular da nossa terra.<\/p>\n\n\n\n<p>Fernando Correia, encaminhando-me para recolhas feitas em Vale de Cambra pela historiadora Clara Vide e para alguns estudos que ele pr\u00f3prio fez com o intuito de inventariar e georreferenciar as \u201calminhas\u201d, esclarece que a&nbsp;\u201cmem\u00f3ria de um povo faz-se de representa\u00e7\u00f5es e monumentos mais ou menos grandiosos, mas tamb\u00e9m, de edifica\u00e7\u00f5es singelas na sua apar\u00eancia, mas poderosas na imagina\u00e7\u00e3o popular. \u00c9 assim que a cultura popular pelas almas do purgat\u00f3rio carrega um significado espiritual estrat\u00e9gico no mundo rural que se ritualiza em s\u00edmbolos de base religiosa como s\u00e3o as ALMINHAS.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Outra surpresa agrad\u00e1vel que me chegou pouco depois foi uma grande e bem organizada cole\u00e7\u00e3o de fotografias de \u201calminhas\u201d existentes no nosso concelho, esp\u00f3lio propriedade da professora Carolina Soares, da Rabaceira e outra, tamb\u00e9m grendae&nbsp;(grande)&nbsp;e importante, em poder de Jesus Tavares da Silva. E ent\u00e3o o meu projeto inicial, sem fins lucrativos, ganhou nova dimens\u00e3o, agora j\u00e1 com muito mais interesse e obrigatoriedade de divulga\u00e7\u00e3o p\u00fablica. A ideia inicial estava largamente enriquecida, obrigando-me a alterar e ampliar o t\u00edtulo do livro para&nbsp;\u201cAlminhas de Cambra &#8211; por Adolfo Coutinho&nbsp;(como simples coordenador de um trabalho mais vasto, preparado por v\u00e1rios e ilustres Cambrenses)&nbsp;e outros\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como pretende lan\u00e7ar o livro, tendo em conta as restri\u00e7\u00f5es devido \u00e0 pandemia?<\/strong><br>Este livro est\u00e1 pronto. N\u00e3o podendo haver sess\u00e3o p\u00fablica de apresenta\u00e7\u00e3o e entrega, por causa do confinamento a que todos estamos sujeitos e temos de respeitar, o livro vai ser enviado, por correio, para os leitores interessados, que previamente reservaram um ou mais exemplares.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>H\u00e1 v\u00e1rios anos que vive no Porto. J\u00e1 pensou voltar \u00e0s origens e viver em Vale de Cambra?<\/strong><br>J\u00e1 tive essa inten\u00e7\u00e3o e cheguei mesmo a comprar um apartamento no Habicambra. De momento pus essa ideia de lado. J\u00e1 tenho 80 anos de idade e poderia prejudicar o f\u00e1cil e r\u00e1pido acesso a cuidados de sa\u00fade, mais pr\u00f3ximos no local onde vivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, sinto-me um pouco desiludido com uma suposta falta de aten\u00e7\u00e3o dada ao trabalho cultural que venho desenvolvendo ao longo de tantos anos. S\u00e3o muitos os \u201ct\u00edtulos\u201d que j\u00e1 publiquei em Vale de Cambra, sem ajuda das entidades oficiais e\/ou industriais da terra que me viu nascer e que nunca esqueci. Tenho centenas de livros armazenados em minha casa, em Matosinhos, e, por falta de espa\u00e7o pr\u00f3prio, em casa de familiares, residente&nbsp;(residentes)&nbsp;em Cabril. E, sobre este assunto \u00e9 melhor ficar calado. S\u00f3 agora recebi uma pequena, mas simp\u00e1tica, ajuda de duas autarquias locais, que compraram 55 exemplares do meu mais recente livro \u201cAlminhas de Cambra\u201d E, mais n\u00e3o digo, para n\u00e3o queimar a minha t\u00e9nue imagem e para n\u00e3o criar inimizades \u00e0 minha querida \u201cVoz de Cambra\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tudo come\u00e7ou com o sonho de ser jornalista. Adolfo Coutinho, juntamente com o professor Gon\u00e7alo Pinho, fundaram o jornal Voz de Cambra que, este ano, completa meio s\u00e9culo de vida. 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