{"id":811,"date":"2020-06-05T21:32:03","date_gmt":"2020-06-05T21:32:03","guid":{"rendered":"http:\/\/avozdecambra.pt\/?p=811"},"modified":"2021-03-17T21:28:14","modified_gmt":"2021-03-17T21:28:14","slug":"o-universo-da-molecula-a-sequoia-tomo-i","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avozdecambra.pt\/?p=811","title":{"rendered":"O Universo, Da Mol\u00e9cula \u00e0 Sequ\u00f3ia \u2013 Tomo I"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right has-luminous-vivid-amber-color has-text-color\">C| Gazeta cient\u00edfica<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap\"><em>A<\/em>s part\u00edculas elementares de tudo o que nos rodeia, incluindo daquilo que n\u00e3o conseguimos ver ou detectar, s\u00e3o os \u00e1tomos. Por serem t\u00e3o pequenos, s\u00e3o invis\u00edveis; por serem indestrut\u00edveis, s\u00e3o imanentes, e por serem fisicamente t\u00e3o \u00edntegros, s\u00e3o indivis\u00edveis, pois os electr\u00f5es, os prot\u00f5es e os neutr\u00f5es que os constituem, n\u00e3o representam nenhuma entidade fundamental quando isolados.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Depois do pai da Teoria At\u00f3mica, John Dalton (1766 \u2013 1844), de quem fal\u00e1mos na passada edi\u00e7\u00e3o, sofrer o segundo e derradeiro acidente vascular cerebral (AVC) aos 78 anos, os seus fundamentos v\u00eaem-se ligeiramente desamparados e surge quem os queira contrariar \u2013 a exist\u00eancia dos \u00e1tomos fora posta em causa, pois era imposs\u00edvel observ\u00e1-los! Ora, com esta vis\u00e3o limitada dos acontecimentos, a Ci\u00eancia corria o risco de sucumbir a uma reca\u00edda para o dogmatismo aristot\u00e9lico. Embora as associa\u00e7\u00f5es entre \u00e1tomos fossem j\u00e1 conhecidas, na altura apenas como \u201ccompostos\u201d, e a am\u00e1lgama destes como \u201cmisturas\u201d, pois um ch\u00e1 ou um caf\u00e9, por exemplo, s\u00e3o complexas misturas de compostos, a presen\u00e7a f\u00edsica dos primeiros era tida como um artif\u00edcio intelectual, um ingrediente for\u00e7osamente necess\u00e1rio apenas para que o resultado final da equa\u00e7\u00e3o fizesse sentido. No entanto, muitos cientistas, de rigorosos e honestos procedimentos, continuaram a nutrir e, de facto, a soldar os \u00e1tomos de Dalton \u00e0 realidade cient\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p>Amadeo Avogadro (1776 \u2013 1856), assumidamente um ex\u00edguo e fugaz nobre italiano de contrastante t\u00edtulo, Lorenzo Romano Amadeo Carlo Avogadro, <em>Conte di Quaregna e Correto<\/em>, foi um importante f\u00edsico e matem\u00e1tico. Descobriu que volumes iguais de gases, submetidos a condi\u00e7\u00f5es de temperatura e press\u00e3o equivalentes, possuem exactamente o mesmo n\u00famero de part\u00edculas. Para metodizar os conhecimentos adquiridos at\u00e9 \u00e0quele ponto, tornou-se indispens\u00e1vel estabelecer novos termos e distin\u00e7\u00f5es. Nasce, ent\u00e3o, um conceito criado pelo pr\u00f3prio Avogadro: a <strong>mol\u00e9cula<\/strong>. As mol\u00e9culas seriam o resultado do agrupamento coeso de mais de um \u00e1tomo, independentemente da sua natureza, ou seja, quando \u00e1tomos do mesmo elemento se ligam, resulta, invariavelmente, numa mol\u00e9cula, sendo exemplo disso o azoto molecular, ou diazoto, um significativo componente da atmosfera que respiramos, que mais n\u00e3o \u00e9 que a uni\u00e3o de dois \u00e1tomos desse preciso elemento (N<sub>2<\/sub>). E o mesmo se sucede entre \u00e1tomos com as maiores disparidades, o que acontece quando ao ferro (Fe), de n\u00famero at\u00f3mico 26 (vinte e seis), pois \u00e9 detentor desse n\u00famero de prot\u00f5es no seu n\u00facleo, se une o oxig\u00e9nio (O), de n\u00famero at\u00f3mico 8 (oito), resultando na mol\u00e9cula de \u00f3xido de ferro (Fe<sub>2<\/sub>O<sub>3<\/sub>), cuja forma cristalina \u00e9 representada pelo mineral hematite. A compreens\u00e3o geral carecia de uma express\u00e3o actualizada, que alterasse a ambiguidade e a redund\u00e2ncia dos \u201ccompostos\u201d. Assim, 1m<sup>3<\/sup> (um metro c\u00fabico) de di\u00f3xido de carbono (CO<sub>2<\/sub>), possui o mesmo n\u00famero de mol\u00e9culas que 1m<sup>3<\/sup> de oxig\u00e9nio (O<sub>2<\/sub>), <em>verbi<\/em> <em>gratia<\/em>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Significando \u201cpequena massa\u201d, do latim <em>molesculum<\/em>, o termo mol\u00e9cula foi rapidamente adoptado no \u00e2mbito da Ci\u00eancia, mas os \u00e1tomos s\u00f3 se abra\u00e7aram ao reconhecimento no in\u00edcio do s\u00e9culo XX gra\u00e7as a um trabalho em particular de uma das mais brilhantes e inspiradoras mentes do seu tempo: Albert Einstein (1879 \u2013 1955). De sonante nome, o carism\u00e1tico f\u00edsico te\u00f3rico e humanista, que certamente o meu caro leitor j\u00e1 ter\u00e1 visto, algures, com prolixos cabelos brancos e l\u00edngua estendida at\u00e9 ao queixo, observou que part\u00edculas microsc\u00f3picas moviam-se aleat\u00f3ria e freneticamente dentro de fluidos em repouso. Ser\u00e1, porventura, no m\u00ednimo, a meu ver, incr\u00edvel, ou virtualmente inconceb\u00edvel, a imagem de colocarmos cuidadosamente, por exemplo, um barquinho de madeira dentro de um tanque com \u00e1gua completamente serena, para depois o encontrarmos numa compulsiva e desvairada navega\u00e7\u00e3o. Em condi\u00e7\u00f5es normais e devidamente controladas, isso n\u00e3o aconteceria, claro. Mas a resposta encontra-se nas propor\u00e7\u00f5es dos pares que interagem, ou seja, para que o barquinho se movesse aleat\u00f3ria e freneticamente, como disse, dentro de \u00e1gua, teria de ser t\u00e3o pequeno, mas t\u00e3o pequeno, que sofreria as influ\u00eancias f\u00edsicas das constantes colis\u00f5es perpetradas pelas mol\u00e9culas que o envolvem. Em 1827, o bot\u00e2nico escoc\u00eas Robert Brown (1773 \u2013 1858) contemplou, ao microsc\u00f3pio, ex\u00edguos gr\u00e3os de p\u00f3len de <em>Clarkia pulchella<\/em> Pursh (fadinhas-rosa) numa tr\u00e9mula cinesia dentro de uma suspens\u00e3o aquosa. Para o cientista do Reino Vegetal, o p\u00f3len mexia-se por se tratar de uma entidade viva, embora a verdadeira raz\u00e3o n\u00e3o fosse essa. A causa de tal enigm\u00e1tico movimento \u00e9, precisamente, explicada pelas observa\u00e7\u00f5es de Einstein e consequente tese, que n\u00e3o s\u00f3 prova a exist\u00eancia de \u00e1tomos, como a de entidades formadas por eles, as mol\u00e9culas, cuja irrefut\u00e1vel presen\u00e7a f\u00edsica faz mover part\u00edculas de dimens\u00f5es superiores \u00e0s suas, como o s\u00e3o os gr\u00e3os de p\u00f3len. Se as mol\u00e9culas de \u00e1gua encontrarem-se em movimento, fazem mover, com efeito, aquilo que est\u00e1 nas suas vizinhan\u00e7as. Einstein intitulou o fen\u00f3meno de Movimento Browniano, em homenagem ao importante bot\u00e2nico, o primeiro a testemunhar esse belo feito da Natureza.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes das mol\u00e9culas terem sido desvendadas por Amadeo Avogadro, o qu\u00edmico e meteorologista John Dalton j\u00e1 havia esbo\u00e7ado aquilo a que chamou de \u201cpart\u00edculas que comp\u00f5em a \u00e1gua\u201d (1808), porventura a base conceptual, vision\u00e1ria, ouso assim entender, das ideias que \u00e0s dele sucederam. Os n\u00fameros 1 (um) e 2 (dois) dizem respeito \u00e0 \u00e1gua, como composto, no estado s\u00f3lido, e os n\u00fameros 5 (cinco) e 6 (seis) no estado l\u00edquido.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"665\" height=\"1024\" src=\"http:\/\/avozdecambra.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/AGazetaCient\u00edfica_01-1-665x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-813\" srcset=\"https:\/\/avozdecambra.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/AGazetaCient\u00edfica_01-1-665x1024.jpg 665w, https:\/\/avozdecambra.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/AGazetaCient\u00edfica_01-1-195x300.jpg 195w, https:\/\/avozdecambra.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/AGazetaCient\u00edfica_01-1-768x1183.jpg 768w, https:\/\/avozdecambra.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/AGazetaCient\u00edfica_01-1-997x1536.jpg 997w, https:\/\/avozdecambra.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/AGazetaCient\u00edfica_01-1-1330x2048.jpg 1330w, https:\/\/avozdecambra.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/AGazetaCient\u00edfica_01-1.jpg 1560w\" sizes=\"auto, (max-width: 665px) 100vw, 665px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Antes das mol\u00e9culas terem sido desvendadas por Amadeo Avogadro, o qu\u00edmico e meteorologista John Dalton j\u00e1 havia esbo\u00e7ado aquilo a que chamou de \u201cpart\u00edculas que comp\u00f5em a \u00e1gua\u201d (1808), porventura a base conceptual, vision\u00e1ria, ouso assim entender, das ideias que \u00e0s dele sucederam. Os n\u00fameros 1 (um) e 2 (dois) dizem respeito \u00e0 \u00e1gua, como composto, no estado s\u00f3lido, e os n\u00fameros 5 (cinco) e 6 (seis) no estado l\u00edquido.&nbsp;<br><em>Imagem retirada da revista National Geographic, edi\u00e7\u00e3o especial \u201cA Teoria At\u00f3mica\u201d, 2019.&nbsp;<\/em><\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"699\" src=\"http:\/\/avozdecambra.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/AGazetaCient\u00edfica_02-1024x699.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-814\" srcset=\"https:\/\/avozdecambra.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/AGazetaCient\u00edfica_02-1024x699.jpg 1024w, https:\/\/avozdecambra.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/AGazetaCient\u00edfica_02-300x205.jpg 300w, https:\/\/avozdecambra.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/AGazetaCient\u00edfica_02-768x524.jpg 768w, https:\/\/avozdecambra.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/AGazetaCient\u00edfica_02-1536x1048.jpg 1536w, https:\/\/avozdecambra.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/AGazetaCient\u00edfica_02.jpg 1742w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>A mol\u00e9cula de ADN (\u00e1cido desoxirribonucleico), composta pelos genes de quem o carrega, ser\u00e1 talvez a mais difundida por todo o mundo. Aqui est\u00e1 uma representa\u00e7\u00e3o art\u00edstica (2014) da estrutura que, quimicamente, conhecemos bem: duas cadeias em dupla-h\u00e9lice com esqueletos fosfatados (o conjunto das cores azul, roxa e lilases), ligadas entre si por nucle\u00f3tidos (os conjuntos perpendiculares das cores azul e verde), a unidade b\u00e1sica dos \u00e1cidos nucleicos. Mas n\u00e3o se deixe intimidar, estimado leitor, pelo assunto do ADN \u2013 sobre ele falaremos futuramente.<br><em>Imagem retirada da Internet. &nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>&nbsp;<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p><strong><em>Pedro Su\u00e1rez<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>C| Gazeta cient\u00edfica As part\u00edculas elementares de tudo o que nos rodeia, incluindo daquilo que n\u00e3o conseguimos ver ou detectar, s\u00e3o os \u00e1tomos. 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