O lugar do Barbeito, na freguesia de São Pedro de Castelões, esteve esta terça-feira temporariamente isolado devido às fortes chuvas que afetaram o concelho de Vale de Cambra, levando ao corte da principal via de acesso à localidade. A situação, que voltou a gerar preocupação entre a população, inseriu-se num conjunto mais vasto de ocorrências provocadas pelas condições meteorológicas adversas, incluindo derrocadas, quedas de muros e inundações em vários pontos do concelho. A estrada de Rôge continua encerrada, bem como a Rua das Alminhas de Areias, mas a situação no concelho encontra-se agora controlada, requerendo atenção por parte das entidades.
Cristina Maria Santos
As chuvas intensas provocaram a acumulação significativa de água em diversas vias rodoviárias, obrigando ao encerramento temporário de estradas por motivos de segurança. Entre os locais mais afetados esteve o lugar de Barbeito, freguesia de S. Pedro de Castelões, onde o corte da estrada evidenciou, mais uma vez, a fragilidade dos acessos à localidade e a inexistência de uma alternativa viável em situações de emergência.
De acordo com informação divulgada pelo Município de Vale de Cambra, estiveram encerradas, em São Pedro de Castelões, a Rua da Praia Fluvial, a Rua de acesso ao Barbeito e a Rua das Alminhas. Na freguesia de Rôge, foi igualmente cortada a estrada M550, junto ao Centro Cívico. As autoridades alertaram para os perigos na circulação rodoviária, nomeadamente devido a tampas de saneamento levantadas ou submersas, apelando à máxima precaução.
Ao final do dia, o presidente da Câmara Municipal de Vale de Cambra confirmou ao Voz de Cambra que a situação de interdição da estrada do Barbeiro encontra-se, para já, resolvida, no entanto, a estrada de Rôge permanece encerrada, bem como a Rua das Alminhas de Areias. Ainda assim, alertou para a possibilidade de novos constrangimentos nos próximos dias, face à instabilidade meteorológica. “Neste momento a situação está resolvida, mas continuamos atentos à evolução do tempo”, referiu.
Apesar dos constrangimentos registados ao longo do dia, que provocaram derrocadas, quedas de muros e inundações por todo o concelho, o presidente da autarquia, André Martins da Silva sublinhou ao Voz de Cambra a “resposta e prontidão extraordinária por parte da Proteção Civil, serviços da Câmara Municipal e Bombeiros Voluntários”, salientando que as entidades continuam a acompanhar permanentemente as zonas mais vulneráveis enquanto persistirem condições meteorológicas adversas.
Contactado pelo Voz de Cambra, o coordenador operacional da Proteção Civil no concelho, também comandante dos Bombeiros Voluntários de Vale de Cambra, Victor Machado, explicou que os meios de socorro estão no terreno a acompanhar a evolução da situação. “Tudo tem sido feito para minimizar os problemas e garantir a segurança das populações. No entanto, este tipo de intempéries é impossível de controlar. O nosso apelo é para que as pessoas cumpram as indicações das autoridades e evitem circular em zonas inundadas”, afirmou.
No caso concreto do Barbeito, a resposta no terreno envolveu a Junta de Freguesia de São Pedro de Castelões, a Câmara Municipal e a Proteção Civil, que procederam ao encerramento da estrada logo pela manhã, como medida preventiva. Para minimizar os impactos junto da população, a Junta colocou uma carrinha no local para assegurar o transporte dos moradores entre os dois lados da via cortada.
O presidente da Junta, Carlos Salinas explicou que situações de cheias com esta gravidade são pouco frequentes naquela zona, tendo ocorrido por duas vezes nos últimos 10 anos. Reafirmou ainda o empenho na resolução definitiva do problema, que passa pela criação de um novo acesso a Cabril, uma reivindicação antiga da população.
Sobre esta matéria, o presidente da Câmara Municipal, André Martins da Silva, confirmou que, em reunião de Câmara realizada esta terça-feira, ficou assumido o compromisso de avançar com a obra do novo acesso “o mais breve possível”, reconhecendo a necessidade de uma solução estrutural para evitar que o lugar de Barbeito volte a ficar isolado.
Durante o dia, o encerramento desta estrada causou apreensão entre os moradores, uma vez que esta localidade não dispõe de uma alternativa viável de acesso, ficando praticamente isolada em situações de cheias. Nas redes sociais, multiplicam-se os relatos de preocupação, com vários habitantes a recordarem que este é um problema recorrente há vários anos, sem uma solução definitiva.
A preocupação estendia-se também a quem, não residindo atualmente no lugar, mantém uma ligação diária à localidade. Sandra Silva, natural do Barbeito, é uma das vozes que se junta ao apelo da população. Ao Voz de Cambra, explicou que se desloca todos os dias ao lugar, onde se encontram os seus pais. “Esta manhã ainda consegui ir aos meus pais, mas quando vinha embora já tive muitas dificuldades em passar, correndo riscos ao fazê-lo”, relatou.
Segundo Sandra Silva, a situação agravou-se ao ponto de a sua irmã e outros residentes, terem sido transportados pelo veículo do Município de Vale de Cambra, que teve de recorrer ao caminho em terra batida. Um acesso que, sublinha, “não pode ser considerado uma verdadeira alternativa, nem em termos de segurança nem de condições de circulação”.
Falando em nome da população do Barbeito, Sandra Silva confessou o receio de que a situação possa piorar durante a noite e próximos dias. “Tenho medo que aconteça alguma coisa à minha família ou a qualquer habitante do lugar e que depois ninguém consiga sair da localidade. É um sentimento de impotência”, afirmou.
A testemunha recorda ainda que este cenário não é novo. “Há muitos anos que a população luta pela construção da via alternativa para Cabril. Esta situação já se repetiu em cheias mais fortes. Já ficámos isolados outras vezes, infelizmente, nada muda”, lamentou, acrescentando que gostaria de ver finalmente uma solução definitiva para um problema antigo.

