Em Vale de Cambra, há nomes que atravessam gerações e guardam histórias feitas de sabores, encontros e tradição. Um desses nomes é o da Pensão Suissa, uma das casas mais emblemáticas da região, que volta a surpreender sem perder a sua identidade.
Cristina Maria Santos
Ao contrário do que poderia indiciar, o nome da casa mantém-se: continua a ser Grupo Pensão Suissa. A novidade está no restaurante, que passa, a partir de hoje, dia 24 de março, a chamar-se “D. Lili”, numa sentida homenagem à sua fundadora.
Sob o mote “E se um nome pudesse contar uma história…?”, esta atribuição assinala mais de 90 anos de legado e presta tributo a D. Lili, descrita pela família como uma cozinheira exímia que deu origem a este projeto há 92 anos.
A data escolhida para esta homenagem não foi por acaso: coincidiu com o aniversário da fundadora, celebrado com um almoço comemorativo que reuniu família, amigos e clientes habituais. Num ambiente marcado pela emoção e partilha, não faltou o momento simbólico de cantar os parabéns, acompanhado por um bolo especialmente dedicado a D. Lili e com música de um violinista, ao vivo.
Hoje, é a família que continua a dar vida a este legado. À frente do projeto estão Eva Almeida, filha da fundadora, o neto Paulo Lima e a nora Amélia Soares, que têm assegurado a continuidade desta casa, preservando os valores, os sabores e o espírito que sempre a distinguiram.
Localizada em Presa do Monte, Macieira de Cambra, a Pensão Suissa afirma-se, há décadas, como muito mais do que um restaurante. É um ponto de encontro que alia a gastronomia tradicional portuguesa ao alojamento, mantendo-se como uma referência regional. Com capacidade para cerca de 100 pessoas, o restaurante continua a destacar-se pelos pratos típicos que fidelizam clientes de dentro e fora do país.
A história do espaço contribui para o seu estatuto singular. Por ali passaram figuras marcantes da cultura lusófona, como o escritor Ferreira de Castro, que encontrava neste local um refúgio de descanso e convívio, e também Jorge Amado. Foi, aliás, na Pensão Suissa que Ferreira de Castro sofreu uma doença súbita, em junho de 1974, que viria a ditar a sua morte dias depois — um episódio que reforça o peso histórico da casa.
Atualmente, a unidade mantém a sua vertente de alojamento, com sete quartos climatizados, equipados com televisão e acesso à internet, estacionamento privativo e uma piscina com vista privilegiada sobre a paisagem envolvente, onde os pores do sol continuam a ser um dos grandes atrativos.
A atribuição do nome “D. Lili” ao restaurante surge, assim, como uma ponte entre passado e futuro. Um reconhecimento à origem, à dedicação e ao talento que deram início a tudo — e um convite para que novos capítulos continuem a ser escritos, à mesa, com o mesmo sabor de sempre.
Porque, afinal, há histórias que não mudam de nome — apenas ganham ainda mais significado.


