A cerimónia evocativa do 25 de Abril, realizada este sábado, no Salão Nobre dos Paços do Concelho de Vale de Cambra, ficou marcada pela homenagem a Bernardo Pinho, primeiro presidente da Câmara eleito após a Revolução dos Cravos, que destacou a importância da proximidade entre cidadãos e poder local como uma das maiores conquistas da democracia.
Cristina Maria Santos
Vale de Cambra assinalou o 25 de Abril com uma cerimónia solene que reuniu ex-autarcas, atuais responsáveis municipais, representantes de instituições e empresários locais, num momento de reflexão sobre os valores da democracia e o percurso do poder autárquico no concelho.
O ponto alto da sessão foi a homenagem a Bernardo Pinho, figura incontornável da vida política local e primeiro presidente da Câmara Municipal eleito após a Revolução dos Cravos. No seu discurso, sublinhou que “a maior conquista do 25 de Abril foi a aproximação das pessoas ao poder autárquico”, recordando o impacto profundo que a revolução teve na organização e funcionamento da administração local.
Bernardo Pinho evocou ainda o papel da democracia no quotidiano dos cidadãos, defendendo que “a democracia não se esgota nas urnas, vive da forma como tratamos os outros, como exigimos transparência e honestidade e como participamos na construção do bem comum”.
Com um longo percurso de serviço público — que inclui funções como presidente da Câmara e da Assembleia Municipal, vereador, membro da Assembleia Municipal em vários mandatos e membro da Assembleia da República —, o homenageado destacou a importância de um compromisso contínuo com os valores democráticos. “A democracia exige um processo de melhoria contínua”, afirmou.
A encerrar a sua intervenção, deixou dois apelos distintos: aos valecambrenses, incentivou a que “participem, questionem, proponham e exijam, mas compreendam as limitações do poder local”; e aos autarcas, pediu que “auscultem, premiem, exijam ajuda do governo central, executem e cumpram, mas sempre com justiça e independência, sem vaidades nem exibicionismo, simplesmente sendo autênticos”.
Concluiu com uma mensagem de união e responsabilidade partilhada: “Se o fizerem, uns e outros serão verdadeiros defensores da democracia.”


