As Marchas de Santo António voltaram a encher as ruas de Vale de Cambra de cor, música e tradição na noite de sexta-feira, num dos momentos mais emblemáticos e participados das Festas do Município. Dez marchas, mais de mil participantes e centenas de músicos deram vida a um espetáculo que, realizado ininterruptamente desde 1984, continua a ser uma das maiores expressões da identidade cultural valecambrense.
Cristina Maria Santos
As ruas da cidade receberam milhares de espectadores que assistiram ao desfile das dez marchas participantes, num total de 876 marchantes — entre adultos e crianças — acompanhados por cerca de duas centenas de músicos e 154 arcos decorados, num espetáculo marcado pela criatividade, pelo rigor das coreografias e pela valorização das tradições populares.
A abrir o desfile esteve o Centro Social Paroquial de Cepelos, que assinalou os seus 25 anos de existência com o tema “25 Anos de Amor”, numa homenagem póstuma ao seu fundador, o Padre Martingo, destacando o trabalho de cuidado, partilha e dedicação desenvolvido ao longo de um quarto de século.
Seguiu-se a Fundação Luiz Bernardo de Almeida, que apresentou o tema “Quando um Homem se Torna Lenda”, inspirado no livro Vale de Tesouros e dedicado à figura de Luiz Bernardo de Almeida. A marcha reuniu centenas de participantes e prestou tributo à memória, cultura e identidade associadas ao fundador da instituição.
O Grupo Desportivo e Cultural de Lordelo levou para as ruas o tema “Festas e Romarias”, evocando as celebrações populares portuguesas, a união das comunidades e a importância de preservar tradições que continuam a passar de geração em geração.
A marcha do Centro Social e Paroquial de São Pedro de Castelões apresentou “A Lenda da Moura Encantada”, inspirada nas histórias ligadas ao rio Caima e ao imaginário popular, destacando a riqueza das lendas e das raízes culturais do concelho.
A ACREC – Associação Cultural Recreativa Educativa Cepelense escolheu o tema “A Ceifa”, recriando os antigos trabalhos agrícolas ligados à colheita do centeio, numa homenagem aos costumes rurais e à vida comunitária das aldeias de outros tempos.
Já a União de Freguesias de Vila Chã, Codal e Vila Cova de Perrinho apresentou “Amor de Santo António”, reforçando a ligação ao santo padroeiro e às tradições associadas às festividades populares.
Uma das novidades da edição deste ano foi a participação do Plano Cultural da Escola Secundária do Agrupamento de Escolas do Búzio, que levou à avenida a marcha “Do Mundo ao Vale”. O projeto uniu alunos, professores e comunidade numa celebração da diversidade cultural, mostrando como Vale de Cambra se abre ao mundo sem perder a sua identidade e as suas tradições.
A Freguesia de Junqueira apresentou “As Promessas ao Santo António”, um tema marcado pela fé, pela esperança e pela devoção ao santo popular, simbolizando os pedidos, agradecimentos e promessas que fazem parte da vivência religiosa das festas.
Pelo 11.º ano consecutivo, a Santa Casa da Misericórdia de Vale de Cambra participou com a marcha “Mãos que Cuidam”, uma homenagem aos colaboradores da instituição e à missão de apoio e cuidado prestada diariamente às diferentes gerações. O elemento central foi a réplica da escultura de António Nobre existente na rotunda de Burgães, símbolo do acompanhamento ao longo da vida.
Um dos momentos mais aplaudidos da noite foi protagonizado pela Marcha Popular Emigrantes Differdange – Luxemburgo, que participou pela primeira vez em Portugal. Com o tema “Vitória”, cerca de meia centena de emigrantes portugueses, entre eles vários valecambrenses residentes no Luxemburgo, trouxeram às festas a alegria e o orgulho de quem continua a manter uma forte ligação à terra natal apesar da distância. A participação do grupo constituiu um dos pontos altos da noite e simbolizou os laços que unem a comunidade emigrante ao concelho.
Após o desfile, a celebração prosseguiu com um espetáculo de fogo de artifício e animação musical pela Orquestra Sirilanka, encerrando mais uma edição das Marchas de Santo António, uma tradição que, 42 anos depois da sua criação, continua a mobilizar associações, instituições e freguesias de todo o concelho.

