Responsável destaca risco de incêndios simultâneos, apela à prevenção e garante que a corporação de Vale de Cambra está preparada para enfrentar uma época que se prevê particularmente exigente. Entrevista completa na próxima edição impressa do Voz de Cambra.
Cristina Maria Santos
Portugal atravessa um dos períodos mais críticos do ano em matéria de incêndios rurais e Vale de Cambra, concelho com uma vasta mancha florestal e um historial de grandes ocorrências, encontra-se em alerta máximo. Em entrevista ao Voz de Cambra, o comandante dos Bombeiros Voluntários de Vale de Cambra deixa um forte apelo à população para evitar comportamentos negligentes e alerta para a possibilidade de incêndios simultâneos, cenário que coloca uma enorme pressão sobre os meios de combate.
Segundo o comandante, as temperaturas elevadas, a baixa humidade e o vento forte fazem com que “qualquer ignição possa transformar-se, em poucos minutos, num incêndio de grandes dimensões”, obrigando a corporação a manter um elevado estado de prontidão e vigilância permanente nas zonas de maior risco. A maior preocupação passa precisamente pela eventual ocorrência de vários incêndios ao mesmo tempo, situação que exige um enorme esforço dos recursos humanos e materiais disponíveis.
O responsável sublinha ainda que a esmagadora maioria dos incêndios continua a resultar da ação humana, muitas vezes por negligência. Queimadas, utilização de maquinaria sem precauções, trabalhos que produzem faíscas, lançamento de beatas e falta de limpeza dos terrenos continuam entre os comportamentos de maior risco. Por isso, deixa um apelo aos valecambrenses para respeitarem integralmente as restrições em vigor e lembra que “o melhor incêndio é aquele que nunca chega a acontecer”.
Recordando o incêndio que, no ano passado, consumiu cerca de 500 hectares em Vale de Cambra, o comandante afirma que essa ocorrência reforçou a convicção de que os incêndios são hoje mais rápidos, intensos e imprevisíveis. Desde então, a corporação investiu na formação dos operacionais, na melhoria dos procedimentos de comando, na atualização dos planos de resposta e no reforço da articulação com os restantes agentes de proteção civil. Ainda assim, considera que a proteção do território depende também da prevenção, da gestão da floresta e da responsabilidade de cada cidadão.
No plano operacional, garante que os Bombeiros Voluntários de Vale de Cambra estão plenamente integrados no Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR), dispondo de equipas permanentes de combate, equipas de apoio logístico, Equipas de Intervenção Permanente, veículos de combate, veículos-tanque, viaturas de comando e uma brigada de combate pré-posicionada no quartel para reforçar a resposta em caso de necessidade.
Enquanto adjunto do Comando Operacional dos Bombeiros de Portugal, o comandante considera que o país dispõe atualmente de um dispositivo mais robusto e preparado do que há alguns anos. Contudo, alerta que as alterações climáticas estão a tornar os incêndios cada vez mais extremos e que nenhum sistema conseguirá responder eficazmente sem uma forte aposta na prevenção e na gestão da paisagem. A valorização dos bombeiros, o reforço da logística e a captação de novos voluntários são igualmente apontados como desafios para o futuro.
O comandante destaca ainda a importância do novo guia de sensibilização lançado pela Escola Nacional de Bombeiros, considerando que, apesar de existir hoje maior consciência dos riscos, muitas famílias continuam sem preparar adequadamente as suas habitações ou um plano de emergência. Defende que a cultura de autoproteção é essencial num concelho como Vale de Cambra, onde muitas habitações se encontram junto à floresta.
A entrevista completa ao comandante dos Bombeiros Voluntários de Vale de Cambra pode ser lida na próxima edição impressa do Voz de Cambra.

