Masterclass promovida pela AECA reuniu empresários em Vale de Cambra e terminou com uma imersão tecnológica na empresa TECNOCON, do Grupo ARSOPI, que deu a conhecer os primeiros passos na implementação da Inteligência Artificial.
Cristina Maria Santos
A Inteligência Artificial está a deixar de ser um conceito distante para passar a fazer parte da estratégia das empresas da região. Essa foi uma das principais conclusões da masterclass “A Inteligência Artificial enquanto Ferramenta de Produtividade”, promovida pela Associação Empresarial de Cambra e Arouca (AECA), no âmbito do projeto Qualify.teca II, que decorreu esta sexta-feira, em Vale de Cambra.
A iniciativa dividiu-se em dois momentos distintos: durante a manhã, na Biblioteca Municipal de Vale de Cambra, decorreu uma sessão teórica dedicada às potencialidades da Inteligência Artificial para as pequenas e médias empresas; durante a tarde, os participantes visitaram as instalações da TECNOCON, onde puderam conhecer um exemplo concreto da aplicação desta tecnologia na indústria.
A visita à empresa valecambrense, pertencente ao Grupo ARSOPI, constituiu o momento alto da ação, permitindo aos empresários observar de perto como uma empresa industrial está a iniciar o processo de integração da Inteligência Artificial nos seus processos internos. A apresentação esteve a cargo do CEO, António Moreira, acompanhado pelos responsáveis Vítor Vilar e Humberto Bastos, que deram a conhecer alguns dos projetos em desenvolvimento.
“As empresas procuram exemplos práticos”
Em declarações ao Voz de Cambra, o presidente da AECA, Carlos Brandão, explicou que o principal objetivo da iniciativa passou por sensibilizar e capacitar as empresas para os desafios da transformação digital.
“Queremos mostrar a evolução que está a acontecer e ajudar as empresas a perceberem que as novas tecnologias, a Inteligência Artificial, a Indústria 5.0 e a qualificação das pessoas têm de caminhar em conjunto. Não basta comprar máquinas ou robôs. É preciso que tudo funcione em sintonia e que as pessoas estejam preparadas para tirar partido dessas ferramentas”, afirmou.
Segundo Carlos Brandão, a escolha da TECNOCON para receber a visita não foi por acaso.
“É uma empresa exemplar, com produtos muito fiáveis e muita tecnologia, que está a avançar de forma segura nesta área. A sessão da manhã foi mais teórica e esta visita representa precisamente aquilo que as empresas procuram: ver exemplos práticos, perceber como a tecnologia está a ser aplicada e confirmar que é possível dar mais passos rumo ao futuro”, explicou.
O dirigente empresarial considera que o maior risco não é a Inteligência Artificial, mas sim a inércia.
“O problema não é a IA. O problema é estarmos parados. Quem fica parado normalmente não avança. A Inteligência Artificial deve ser vista como uma oportunidade e acredito que os próprios empresários devem participar nestas ações. Quando a mudança vem da liderança, torna-se muito mais rápida e eficaz”, sublinhou.
Criar uma região de referência em tecnologia para a indústria alimentar
Parceira da AECA no projeto Qualify.teca II, a Associação Empresarial e Comercial de Oliveira de Azeméis (AECOA) considera que as empresas já reconheceram a importância da Inteligência Artificial, faltando agora dar o passo seguinte.
“As empresas estão sensibilizadas. A grande dificuldade é perceber quando fazer, como fazer e o que é preciso fazer. É precisamente para isso que servem estas masterclasses e estas sessões de imersão tecnológica”, explicou ao Voz de Cambra o diretor executivo da AECOA, António Pinto Moreira.
O responsável sublinhou que o projeto pretende afirmar toda a região como uma referência nacional na cadeia de valor da indústria alimentar.
“O nosso objetivo é criar uma identidade forte para esta região, que seja reconhecida pela capacidade de engenharia, automação, software, sistemas e Inteligência Artificial aplicados à indústria alimentar. Queremos que sejamos identificados como um território com capacidade para desenvolver tecnologia e não apenas para a utilizar”, frisou.
O dirigente destacou ainda a importância da parceria entre as associações empresariais de Vale de Cambra, Oliveira de Azeméis e Águeda.
“Projetos desta dimensão só são possíveis com escala. Estamos a falar de um investimento superior a 700 mil euros. Sozinhos não conseguiríamos. Esta parceria permite-nos aprender uns com os outros e criar programas de capacitação verdadeiramente robustos para toda a fileira”, constatou.
O Qualify.teca II, cofinanciado pelo Portugal 2030, pretende reforçar a competitividade das PME´s da fileira dos Equipamentos, Serviços e Ingredientes para a Indústria Alimentar (ESIIA), através de ações de capacitação nas áreas da transformação digital, sustentabilidade, ESG, literacia financeira e inovação tecnológica.
TECNOCON dá os primeiros passos na Inteligência Artificial
Na visita às instalações, o CEO da TECNOCON, António Moreira, fez questão de transmitir uma mensagem de prudência, mas também de ambição.
“Estamos a começar. Estamos a dar os primeiros passos de uma forma muito consciente. Hoje já fazemos algumas pequenas aplicações, mas tudo é muito controlado. Esperamos que já em setembro tenhamos uma evolução significativa”, revelou ao Voz de Cambra.
O responsável acredita que a Inteligência Artificial terá um impacto positivo na organização.
“Vai trazer muitos benefícios. Vamos simplificar muitas tarefas, economizar tempo e aumentar a qualidade dos nossos processos e dos equipamentos que construímos”, destacou.
Apesar do entusiasmo, alertou para a necessidade de uma implementação responsável.
“Não podemos utilizar a Inteligência Artificial de qualquer maneira. É preciso investir, pagar licenças e perceber muito bem o que estamos a fazer. Temos de acompanhar esta evolução, mas de forma consciente”, afirmou.
Durante a receção aos participantes, António Moreira reforçou que a empresa encara esta transformação como um processo contínuo.
“Na empresa estamos a dar o primeiro passo na Inteligência Artificial. Sabemos que lá fora existem organizações muito mais avançadas, mas uma das ideias mais importantes que retirei da sessão da manhã é que não podemos limitar-nos a fazer aquilo que toda a gente faz. Temos de ser diferentes. Esse é um princípio fundamental”, frisou.
Ao abrir as portas da empresa para esta demonstração tecnológica, a TECNOCON procurou mostrar que a adoção da Inteligência Artificial não acontece de um dia para o outro, mas através de um percurso gradual, sustentado e alinhado com a estratégia da organização — uma mensagem que acabou por resumir o espírito de toda a iniciativa promovida pela AECA e pelos parceiros do projeto Qualify.teca II.






