Segunda edição do fórum reuniu especialistas, produtores e entidades em Macieira de Cambra para refletir sobre o presente e o futuro do setor, consolidando uma iniciativa que pretende afirmar o Vinho Verde como um dos principais ativos económicos, culturais e turísticos de Vale de Cambra.
Cristina Maria Santos
O Salão Nobre da Junta de Freguesia de Macieira de Cambra acolheu, na tarde deste sábado, a realização do II Fórum Vinho Verde Terras de Cambra, iniciativa integrada na programação do Praça ConVida ’26, que voltou a colocar em destaque a importância da vinha e do vinho na identidade do concelho.
Depois da primeira edição, realizada no ano passado, o fórum regressou com o propósito de dar continuidade ao trabalho de valorização do setor vitivinícola local, reunindo investigadores, representantes institucionais, produtores e entidades ligadas ao vinho para refletirem sobre o património, a história e o potencial económico do Vinho Verde produzido nas Terras de Cambra.
A sessão teve início com a receção aos participantes e convidados, seguindo-se a abertura oficial pelas entidades presentes.
O painel de oradores contou com a participação de Marta Alexandra Brandão Peixoto da Costa, do Centro Interpretativo da Serra da Freita – Vale de Cambra, que abordou a ligação entre o território e o património local, e de Gonçalo Nuno Ramos Maia Marques, historiador, professor do ensino superior e investigador nas áreas da História e do património vitivinícola do Noroeste Peninsular, que partilhou uma perspetiva histórica sobre a cultura da vinha e do vinho na região.
O painel de oradores contou ainda com a participação de José Paulo Guimarães Vasconcelos Arriscado Amorim, Grão-Mestre da Confraria do Vinho Verde, uma das figuras de maior referência do movimento confrádico ligado ao vinho em Portugal. Com um percurso fortemente associado à promoção da Região Demarcada dos Vinhos Verdes e à valorização do seu património cultural, desempenha atualmente as funções de Grão-Mestre da Confraria do Vinho Verde, depois de ter integrado anteriormente a instituição como Mestre-de-Cerimónias da Cúria Báquica. Exerce igualmente o cargo de secretário da Federação das Confrarias Báquicas de Portugal, organismo que reúne e coordena as confrarias vínicas portuguesas, promovendo a cooperação entre estas entidades e a preservação das tradições ligadas ao vinho. A sua intervenção incidiu sobre a importância da valorização e promoção do Vinho Verde enquanto elemento diferenciador do território e da identidade regional.
A sessão foi enriquecida por momentos musicais assegurados pelo Grupo Etnográfico Terras de Cambra, reforçando a ligação entre a cultura popular e as tradições do território.
Seguiu-se um momento de intervenção por parte dos representantes da Adega Cooperativa de Vale de Cambra, da Fundação Luiz Bernardo de Almeida e da Quinta da Companhia, entidades que deram a conhecer o trabalho que desenvolvem na preservação, promoção e valorização da vitivinicultura local.
Um dos momentos mais aguardados da tarde foi a intervenção de Francisco Marques, curador da exposição “A Vinha o Vinho”, patente no Salão Nobre da Junta de Freguesia, que apresentou aos participantes a filosofia da mostra e a importância de preservar a memória da cultura vitivinícola das Terras de Cambra.
O fórum terminou com um “Verde de Honra”, proporcionando aos participantes uma degustação de Vinhos Verdes produzidos em Vale de Cambra, acompanhada por produtos regionais, num momento de convívio entre produtores, convidados e visitantes.
Uma aposta que continua a crescer
A realização da segunda edição do fórum confirma a aposta iniciada em 2025 pela Junta de Freguesia de Macieira de Cambra. Na primeira edição, o presidente da Junta, Victor Tavares, defendia que era necessário “acordar consciências” para a importância de olhar para o setor vitivinícola como uma oportunidade de desenvolvimento económico e turístico para o concelho.
O autarca sublinha agora que apoiar os produtores locais deverá ser uma prioridade, alertando para o risco de desaparecimento de muitas explorações vitivinícolas se não forem criadas condições para a sua valorização. Destaca ainda que Macieira de Cambra é uma das freguesias do concelho com maior tradição na produção de Vinho Verde, considerando o fórum também uma homenagem aos produtores que, diariamente, preservam esta atividade.
Com esta segunda edição, a Junta de Freguesia volta a reforçar esse compromisso, procurando consolidar o II Fórum Vinho Verde Terras de Cambra como um espaço anual de reflexão, promoção e divulgação de um dos produtos mais emblemáticos do território.
Integrado no Praça ConVida ’26, o fórum voltou assim a afirmar-se como um dos momentos mais relevantes da programação cultural da freguesia, contribuindo para valorizar um setor que continua a ser parte integrante da identidade, da economia e da gastronomia de Vale de Cambra.

