Intervenção no subsistema que serve Vale de Cambra e Oliveira de Azeméis inclui a remodelação da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Ossela, a reabilitação dos emissários e a instalação de um parque solar.
Cristina Maria Santos
O subsistema de saneamento de Ossela, que serve os concelhos de Vale de Cambra e Oliveira de Azeméis, vai receber um investimento de quase 8,5 milhões de euros em três empreitadas destinadas a melhorar o tratamento das águas residuais, reduzir os custos energéticos e contribuir para a qualidade da água devolvida ao rio Caima.
Segundo a Associação de Municípios das Terras de Santa Maria (AMTSM), o auto de consignação da empreitada de remodelação da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) foi assinado a 29 de setembro por Joaquim Jorge Ferreira, presidente da associação e da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis.
Dias antes, a 25 de setembro, Joaquim Jorge Ferreira e André Silva, presidente da Câmara Municipal de Vale de Cambra, tinham assinado a consignação da Unidade de Produção para Autoconsumo, que permitirá produzir energia solar para abastecer a estação.
A remodelação da ETAR representa um investimento de 5,6 milhões de euros, com IVA incluído, e tem um prazo de execução de 18 meses. A obra foi adjudicada ao agrupamento constituído pelas empresas Fator Ambiente, Engenharia do Ambiente, Lda. e Espina & Delfin, S.L.
Em funcionamento desde 2001, a estação vai passar a dispor de novos órgãos de tratamento e da beneficiação integral dos existentes. Pela primeira vez, terá também tratamento terciário, com remoção de azoto e fósforo e desinfeção final do efluente.
De acordo com a AMTSM, a intervenção permitirá assegurar um tratamento mais fiável, com capacidade para perto de 58 mil habitantes-equivalentes — uma medida da carga poluente a tratar — e melhorar a qualidade da água descarregada no Caima.
O rio nasce na serra da Freita, atravessa Vale de Cambra, Oliveira de Azeméis e Albergaria-a-Velha e prossegue até desaguar no Vouga. A sua presença está ligada à paisagem e à história do concelho, nomeadamente ao aproveitamento da água para a agricultura, através de estruturas como os canais de rega de Burgães. A melhoria do tratamento das águas residuais assume, por isso, relevância para a preservação deste recurso natural.
A intervenção prevê ainda a reutilização de parte da água tratada na própria ETAR, na rega e no combate a incêndios, reduzindo o consumo de água da rede.
“Este é um investimento histórico para as Terras de Santa Maria. Devolvemos ao Rio Caima a qualidade que merece e preparamos o nosso território para as próximas décadas, com mais ambiente, mais eficiência e menos custos”, afirma Joaquim Jorge Ferreira, citado no comunicado.
Energia solar e reabilitação da rede
A instalação da Unidade de Produção para Autoconsumo, adjudicada à empresa Ambiagua, representa um investimento superior a meio milhão de euros. O parque solar fotovoltaico produzirá eletricidade para consumo da estação, reduzindo a energia adquirida à rede e os encargos de funcionamento.
O investimento inclui também a beneficiação dos emissários do subsistema, numa empreitada adjudicada por 2,3 milhões de euros. A intervenção vai reabilitar troços da rede que transporta as águas residuais até à ETAR e reforçar o controlo dos caudais.
O objetivo é reduzir a entrada indevida de águas pluviais e de infiltração, que sobrecarregam o sistema sobretudo nos períodos de chuva.
As três empreitadas são cofinanciadas pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), através do Programa Regional do Norte 2030, em 70% da despesa elegível.
A AMTSM esclarece que o esforço financeiro global será superior aos quase 8,5 milhões de euros anunciados para as obras, uma vez que acrescem os custos de aquisição de terrenos para o parque solar e para a bacia de retenção, revisão de preços, exploração da ETAR e fiscalização das empreitadas.

