Macieira de Cambra assinalou, esta terça-feira, dia 10 de fevereiro de 2026, os 512 anos da atribuição do Foral às Terras de Cambra por D. Manuel I, numa cerimónia evocativa que decorreu, excecionalmente, no Centro Cultural de Macieira de Cambra, devido às más condições climatéricas.
Cristina Maria Santos
À semelhança do que tem vindo a acontecer nos últimos anos, o programa incluiu a dramatização da história medieval pelas crianças da Escola Luiz Bernardo de Almeida e a tradicional colocação de uma coroa de flores junto ao pelourinho, símbolo maior da autonomia municipal. A iniciativa voltou a destacar o foral manuelino, datado de 10 de fevereiro de 1514, documento que estabeleceu as bases do então concelho e marcou a identidade histórica destas terras.
Em representação da presidente da Assembleia Municipal, Joana Almeida, foi sublinhado o valor simbólico do foral e do pelourinho situado na Praça da República, enquanto marcos da autonomia e liberdade municipal. “Esta terra onde hoje estamos é um símbolo de liberdade democrática, a liberdade destas crianças que são o futuro da terra, são o futuro do país, são o futuro do mundo, é um símbolo da luta e do trabalho pelo progresso concelhio”, afirmou. Acrescentou ainda que “hoje estamos aqui reunidos a celebrar a resiliência e perseverança de um povo, de uma comunidade que somos todos nós munícipes de Vale de Cambra e que começou em Macieira de Cambra e, por isso, devemos homenagear este legado”, referiu.
Também em representação do presidente da Câmara Municipal de Vale de Cambra, a vereadora da Cultura, Mónica Seixas, parabenizou a Junta de Freguesia pela organização do evento e destacou o envolvimento das crianças na evocação histórica. “A atribuição do foral não é só um documento, é um reconhecimento de uma conquista de desenvolvimento económico que já na altura se vivia nas Terras de Cambra e, por isso, temos de honrar essa memória”, salientou, reforçando o orgulho coletivo neste legado.
A presidente da Assembleia de Freguesia de Macieira de Cambra, Elsa Aguiar, apelou a uma reflexão voltada para o futuro, defendendo que a celebração da história deve ser também um momento de compromisso com os desafios contemporâneos. “Ao celebrar os 512 anos somos também chamados a olhar para a frente; os desafios modernos exigem a mesma coragem que os nossos antepassados tiveram. A nossa assembleia de freguesia continuará a trabalhar de forma construtiva e unida para que este seja um lugar cada vez melhor para viver, trabalhar e crescer”, afirmou.
Já o presidente da Junta de Freguesia de Macieira de Cambra, Victor Tavares, agradeceu o empenho das professoras e das crianças na encenação histórica. “A vossa representação e a vossa presença mostram-nos que são vocês que vão garantir o futuro de Macieira de Cambra, esta freguesia que continuará a celebrar este dia como uma data maior da nossa terra”, declarou. O autarca destacou ainda a importância de conciliar memória e desenvolvimento: “Temos de olhar para o passado, mas também para o presente. Temos um olhar atento para o desenvolvimento desta terra e das suas gentes”, sublinhou.
Apesar das condições meteorológicas adversas, a comunidade voltou a reunir-se para celebrar um marco identitário que atravessa mais de cinco séculos de história, reafirmando o orgulho e a continuidade de um legado que começou em 1514 e que permanece vivo na memória coletiva de Vale de Cambra.
Presentes estiveram vereadores, pároco de Macieira de Cambra, representantes de instituições e associações concelhias, empresários e comunidade em geral.



