Nos próximos dias 11 e 12 de abril, Portugal volta a celebrar o património molinológico com a iniciativa “Moinhos Abertos – 2026”, que assinala também o Dia Nacional dos Moinhos, celebrado a 7 de abril. Pelo 19.º ano consecutivo, centenas de moinhos tradicionais estarão de portas abertas ao público, com entrada gratuita, num movimento nacional de cidadania, voluntariado e valorização cultural.
Cristina Maria Santos
Este ano, a iniciativa reúne um total de 234 moinhos — 98 isolados e 136 integrados em núcleos moageiros — distribuídos por 16 distritos do continente e ainda uma ilha da Região Autónoma dos Açores, envolvendo 65 municípios. O objetivo mantém-se claro: sensibilizar os portugueses para o valor histórico, cultural e tecnológico destes engenhos tradicionais, incentivando a sua preservação e dinamização.
Paraduça com quatro moinhos em destaque
No concelho de Vale de Cambra, a freguesia de Arões assume um papel de relevo com a participação de quatro moinhos comunitários na aldeia de Paraduça, numa iniciativa apoiada pela Associação para o Desenvolvimento Turístico e Promoção Cultural de Paraduça.
Os visitantes poderão conhecer, entre as 09h00 e as 19h00, os seguintes moinhos de água:
- Moinho do Cabo
- Moinho das Bouças
- Moinho da Cavada
- Moinho do Bromeiral
Todos estes espaços, mantidos pela comunidade local, estarão em funcionamento e abertos para visitas, proporcionando uma experiência autêntica sobre os processos tradicionais de moagem e a vida rural associada a estes equipamentos.
Património ameaçado, mas resiliente
A edição de 2026 surge num contexto particularmente desafiante. As recentes tempestades provocaram danos significativos em vários moinhos, afetando estruturas como açudes, levadas e mecanismos essenciais ao seu funcionamento. Em alguns casos, os prejuízos são difíceis de reparar apenas com os recursos dos proprietários e voluntários.
Ainda assim, os moinhos resistem. “De velas ao vento e rodas à água”, continuam a acolher visitantes, reforçando a necessidade urgente de apoio à sua recuperação e preservação.
Um movimento nacional de cidadania
Promovida desde 2007 pela Etnoideia, com o apoio da TIMS – The International Molinological Society, a iniciativa “Moinhos Abertos” tem vindo a afirmar-se como um dos mais importantes eventos de valorização do património tradicional em Portugal.
Segundo Jorge Miranda, da Rede Portuguesa de Moinhos, trata-se de “um movimento de cidadania, independente e participativo”, que procura mobilizar comunidades, autarquias, associações, investigadores e entusiastas em torno da preservação dos moinhos.
Criada em 2006, a Rede Portuguesa de Moinhos conta atualmente com cerca de 200 participantes ativos de 87 municípios, funcionando como um centro de recursos e conhecimento nas áreas da molinologia e etnotecnologia.
Muito mais do que visitas
Além da abertura ao público, o “Dia dos Moinhos Abertos” promove também a identificação de problemas e oportunidades, o surgimento de novos projetos e até pequenas intervenções de manutenção, como limpezas ou reparações, muitas vezes com o envolvimento direto dos visitantes.
A iniciativa pretende, acima de tudo, reforçar a ligação entre as comunidades e o seu património, contribuindo para o desenvolvimento sustentável e a coesão territorial.
Em Paraduça, como em todo o país, o convite está lançado: redescobrir os moinhos, conhecer as suas histórias e ajudar a garantir que continuam a fazer parte da paisagem e da identidade portuguesa.


