O Sindicato dos Médicos do Norte (SMN) denuncia falta de profissionais nos serviços de urgência da Unidade Local de Saúde de Entre Douro e Vouga (ULS EDV), estrutura que abrange o concelho de Vale de Cambra. A organização sindical considera que a situação pode colocar em causa a segurança dos doentes e exige medidas imediatas ao Conselho de Administração e ao Ministério da Saúde.
Cristina Maria Santos
O alerta foi divulgado esta terça-feira, 25 de agosto, pelo Sindicato dos Médicos do Norte e incide, em particular, sobre dificuldades no preenchimento das escalas no Serviço de Urgência Básica de São João da Madeira e no Hospital de São Sebastião, em Santa Maria da Feira.
A situação assume relevância para Vale de Cambra por o concelho integrar a área de influência da ULS Entre Douro e Vouga, responsável pela prestação de cuidados hospitalares e de saúde primários à população valecambrense.
Segundo o comunicado do SMN, no Serviço de Urgência Básica de São João da Madeira, a dificuldade em assegurar as escalas terá levado a Direção Clínica a solicitar aos médicos internos disponibilidade para realizar trabalho suplementar durante o mês de agosto, antecipando igualmente a necessidade de reforço nos meses de setembro e outubro.
O sindicato critica esta solução, considerando que, perante a falta de médicos contratados, se está a recorrer aos profissionais que se encontram em formação para, através de horas extraordinárias, suprir sucessivamente as necessidades existentes.
Sindicato aponta problemas no Hospital de São Sebastião
O SMN denuncia também dificuldades no Serviço de Urgência do Hospital de São Sebastião, em Santa Maria da Feira, unidade hospitalar de referência para os utentes de Vale de Cambra.
De acordo com o sindicato, perante a falta de profissionais na área amarela da urgência, estará a ser determinada a reafetação de um médico da área laranja, destinada a situações de maior gravidade, para assegurar o funcionamento da primeira.
“Não se pode resolver uma insuficiência numa área criando deliberadamente outra”, sustenta o SMN, que considera que os médicos não podem continuar a servir de “variável de ajustamento” para colmatar escalas deficitárias.
A estrutura sindical responsabiliza a falta de recursos humanos e de planeamento pela situação e alerta para as possíveis consequências ao nível da segurança dos utentes.
SMN exige medidas ao Ministério da Saúde
Perante o cenário descrito, o Sindicato dos Médicos do Norte exige explicações e medidas imediatas por parte do Conselho de Administração da ULS Entre Douro e Vouga e da ministra da Saúde, Ana Paula Martins, defendendo que devem ser garantidas equipas completas, a segurança dos doentes e as condições necessárias à formação dos médicos internos.
O sindicato aconselha ainda os médicos que não pretendam realizar trabalho suplementar a formalizarem a recusa e, perante situações de falta de profissionais, a apresentarem escusas de responsabilidade, de modo a ficar identificada a decisão tomada e quem a determinou.
“O SMN não aceita que a falta de médicos seja escondida à custa da sobrecarga dos que permanecem, nem que a segurança clínica dos utentes seja fragilizada para fazer uma escala parecer completa”, refere o comunicado.
A estrutura sindical termina dirigindo a responsabilidade pela resolução do problema à tutela: “A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, tem de garantir os recursos necessários. Aos médicos compete tratar doentes, não encobrir nem mascarar falhas graves de gestão.”
O comunicado do Sindicato dos Médicos do Norte surge num período em que a capacidade de resposta dos serviços de urgência assume particular importância para os utentes dos municípios abrangidos pela ULS Entre Douro e Vouga, entre os quais Vale de Cambra.

