Ana Nadais, com raízes familiares em Vale de Cambra, e Maria Milheiro levam à Casa da Criatividade, nos Paços do Concelho, em São João da Madeira, um recital de harpa e flauta inspirado na fragilidade dos recifes de coral. Duas esculturas da artista Marita Setas Ferro vão integrar o cenário do espetáculo.
Cristina Maria Santos
O Blume Duo, formado pela harpista Ana Nadais e pela flautista Maria Milheiro, apresenta, no próximo dia 13 de setembro, às 17h00, na Casa da Criatividade, em São João da Madeira, o recital “Requiem dos Recifes”, uma proposta que cruza música, arte e sensibilização para a preservação dos oceanos.
Integrado no programa Somos Nós ’26, promovido pela Câmara Municipal de São João da Madeira, o espetáculo tem entrada gratuita, mediante levantamento prévio de bilhete e sujeita à lotação da sala.
O concerto tem também uma ligação a Vale de Cambra, através de Ana Nadais. A jovem harpista é filha do empresário Francisco Nadais, natural de Vale de Cambra, mantendo, assim, raízes familiares no concelho.
Uma viagem musical pelo universo dos oceanos
Mais do que um recital convencional de música de câmara, “Requiem dos Recifes” foi concebido como uma viagem artística em torno da fragilidade e da necessidade de proteção dos recifes de coral.
Ao longo de cerca de 50 minutos, o diálogo entre a flauta e a harpa acompanha uma narrativa que parte da descoberta da biodiversidade marinha e do equilíbrio dos ecossistemas para chegar à sua fragilidade e à necessidade de preservação, terminando com uma mensagem de regeneração e esperança.
Para construir este percurso, Maria Milheiro e Ana Nadais selecionaram obras de Eugène Bozza, Camille Saint-Saëns, Toru Takemitsu e Jules Massenet, organizadas em quatro momentos conceptuais.
O recital abre com Deux Impressions, de Eugène Bozza, evocando a vida nos oceanos e o movimento da água. Segue-se Fantaisie, de Camille Saint-Saëns, na qual a interdependência entre flauta e harpa funciona como metáfora para o equilíbrio e a simbiose dos recifes de coral.
Com Toward the Sea III, de Toru Takemitsu, a proposta assume um registo mais contemplativo, conduzindo o público a uma paisagem sonora inspirada num oceano vasto e misterioso. O percurso encerra com Méditation, da ópera Thaïs, de Jules Massenet, associada à memória, à fragilidade e à possibilidade de regeneração.
Esculturas integram o palco
A componente musical será acompanhada por uma dimensão visual. Duas esculturas têxteis da artista portuguesa Marita Setas Ferro vão estar integradas no palco: “Recife de Coral Azul – Onde o Tempo se Torna Estrutura” e “Rainhas dos Corais”.
Inspiradas nas formas, fragilidade e capacidade de regeneração dos recifes, as peças estabelecem um diálogo com a música interpretada pelo duo e reforçam a mensagem ambiental do espetáculo.
“Requiem dos Recifes” procura, desta forma, transformar o recital numa experiência em que música e escultura se complementam, convidando o público a refletir sobre a relação entre o ser humano e o mundo natural e sobre a preservação dos ecossistemas marinhos.
Duo nasceu em 2017
O Blume Duo nasceu em 2017, na Escola Profissional de Música de Espinho, reunindo Ana Nadais, na harpa, e Maria Milheiro, na flauta. Desde então, as duas instrumentistas têm procurado explorar diferentes formas de criação e interpretação musical, valorizando também a proximidade emocional com o público.
Em 2026, o duo foi semifinalista do Prémio Jovens Músicos, na categoria superior de Música de Câmara, tendo igualmente chegado às semifinais do Concurso Música Cámara Guadamora.
Natural de São João da Madeira, Maria Milheiro estuda atualmente na Hochschule für Musik Basel, na Suíça, na classe de Felix Renggli. Concluiu a licenciatura em Música na Universidade de Aveiro e o mestrado no Conservatorio della Svizzera Italiana. Participou ainda em masterclasses com músicos como Emmanuel Pahud e Davide Formisano e atua regularmente com a Orquestra Filarmónica Portuguesa e a ARMAB – Associação Recreativa e Musical Amigos da Branca.
Ana Nadais encontra-se, por sua vez, radicada em Manchester, onde frequenta o Mestrado em Performance Musical no Royal Northern College of Music, sob orientação de Anne-Marie O’Farrell. Licenciada pelo Royal Conservatoire of Scotland, toca regularmente com a RNCM Symphony Orchestra e a Orquestra Filarmonia das Beiras, sendo também academista da Orquestra Filarmónica Portuguesa.
A harpista desenvolve ainda vários projetos de música de câmara e criou, em Manchester, a série de concertos Between Notes, dedicada à apresentação de jovens músicos profissionais.
O “Requiem dos Recifes” sobe ao palco da Casa da Criatividade, nos Paços do Concelho a 13 de setembro, às 17h00. A entrada é gratuita, mediante levantamento de bilhete, estando limitada à capacidade da sala.
Os bilhetes podem ser levantados/reservados online através da BOL: Levantar bilhete para “Requiem dos Recifes”.


