A flautista Maria Milheiro e a harpista Ana Nadais apresentam-se a 13 de setembro, em São João da Madeira, num concerto que cruza repertório clássico e contemporâneo com uma mensagem ambiental. O espetáculo contará ainda com duas esculturas têxteis de Marita Setas Ferro integradas no palco. A harpista Ana Nadais tem ligações a Vale de Cambra, sendo filha do empresário Francisco Nadais, natural do concelho.
Cristina Maria Santos
O Blume Duo, formado pela flautista Maria Milheiro e pela harpista Ana Nadais, atua no próximo dia 13 de setembro, pelas 17h00, nos Paços da Cultura, em São João da Madeira, no âmbito da programação “Somos Nós”. A entrada é gratuita, estando sujeita à lotação da sala.
O concerto, intitulado “Requiem dos Recifes”, propõe um encontro entre música e consciência ambiental, juntando a sonoridade da flauta e da harpa a uma componente visual que procura levar o público a refletir sobre a relação entre o ser humano e a natureza e sobre a necessidade de preservação dos ecossistemas marinhos.
Com percursos académicos e artísticos desenvolvidos entre Portugal e outros países europeus, as duas jovens intérpretes juntam-se num projeto de música de câmara que procura explorar as possibilidades da combinação entre flauta e harpa. O repertório do Blume Duo cruza a tradição clássica com propostas menos conhecidas, numa abordagem em que as duas instrumentistas assumem o propósito de “explorar, arriscar e reinventar”.
O concerto ganha também particular interesse para o público de Vale de Cambra pela ligação de Ana Nadais ao concelho. A jovem harpista é filha de Francisco Nadais, natural de Vale de Cambra, e desenvolve atualmente a sua atividade no Reino Unido.
Percursos internacionais
Residente em Manchester, Ana Nadais frequenta o Mestrado em Performance Musical no Royal Northern College of Music, onde estuda com Anne-Marie O’Farrell. Antes disso, estudou com Ana Paula Miranda e concluiu, em 2023, a licenciatura em Performance Musical no Royal Conservatoire of Scotland, tendo trabalhado com Pippa Tunnell, Sharron Griffiths e En Hudson.
A música de câmara ocupa um lugar importante no seu percurso. Com Zuzanna Wasiewicz, criou o duo de harpas Harpe Diem, distinguido em concursos internacionais. Integra igualmente o Euterpe Trio e é responsável pela criação de Between Notes, uma série de concertos, em Manchester, dedicada a jovens músicos profissionais.
Já Maria Milheiro estuda atualmente na Hochschule für Musik Basel, na Suíça, na classe de Felix Renggli. É licenciada em Performance Musical pela Universidade de Aveiro, onde estudou com Angelina Rodrigues, e concluiu o mestrado no Conservatorio della Svizzera Italiana, também sob orientação de Felix Renggli.
Ao longo do seu percurso, a flautista participou em masterclasses com músicos como Emmanuel Pahud, Davide Formisano, Adriana Ferreira e Francisco Barbosa, atuando regularmente com a Orquestra Filarmónica Portuguesa e com a banda sinfónica ARMAB.
Entre as distinções alcançadas por Maria Milheiro estão o Primeiro Prémio e o Prémio Orquestra no 16.º Concurso Internacional Paços’ Premium, ocasião em que se apresentou a solo com o Concerto para Flauta em Sol Maior, de Mozart.
O Blume Duo tem vindo, assim, a aproximar dois percursos construídos além-fronteiras, entre a Suíça e o Reino Unido, sem perder a ligação a Portugal. As duas instrumentistas participaram também, em junho, no Prémio Jovens Músicos, na Casa da Música, apresentando-se como concorrentes da iniciativa.
Esculturas integram o palco
A componente musical será acompanhada por uma dimensão visual. Duas esculturas têxteis da artista portuguesa Marita Setas Ferro vão estar integradas no palco: “Recife de Coral Azul – Onde o Tempo se Torna Estrutura” e “Rainhas dos Corais”.
Inspiradas nas formas, fragilidade e capacidade de regeneração dos recifes, as peças estabelecem um diálogo com a música interpretada pelo duo e reforçam a mensagem ambiental do espetáculo.
“Requiem dos Recifes” procura, desta forma, transformar o recital numa experiência em que música e escultura se complementam, convidando o público a refletir sobre a relação entre o ser humano e o mundo natural e sobre a preservação dos ecossistemas marinhos.
A apresentação está marcada para as 17h00 de domingo, 13 de setembro, nos Paços da Cultura, em São João da Madeira, com entrada gratuita, limitada à capacidade da sala.
Os bilhetes podem ser levantados/reservados online através da BOL: Levantar bilhete para “Requiem dos Recifes”.


