A Sociedade Artística Banda de Vale de Cambra (SABVC) vai assinalar os seus 115 anos com um programa comemorativo que se estende entre outubro e novembro e que pretende revisitar a história da instituição, homenagear quem dela fez parte e celebrar a ligação da filarmónica à comunidade. Uma tertúlia com antigos maestros, música nos coretos e um concerto gravado ao vivo são alguns dos momentos previstos.
Cristina Maria Santos
As comemorações arrancam a 18 de outubro, pelas 16h00, no Centro Cívico da União de Freguesias de Vila Chã, Codal e Vila Cova de Perrinho, com uma Tertúlia Filarmónica que contará com a presença de maestros que marcaram diferentes períodos da história e da vida da Sociedade Artística Banda de Vale de Cambra.
O encontro pretende recuperar memórias e testemunhos de quem esteve ligado à direção artística da formação ao longo dos anos. A tertúlia será gravada e posteriormente difundida através das redes sociais, permitindo que as histórias e recordações partilhadas fiquem também como registo da memória da instituição.
Para o presidente da Banda de Vale de Cambra, David Loureiro, chegar aos 115 anos representa muito mais do que assinalar uma data. É o reflexo de um longo percurso construído com sucessos e dificuldades, capacidade de resistência e, sobretudo, uma dedicação à música que tem atravessado várias gerações.
O responsável aproveita a comemoração para agradecer aos sócios, músicos, amigos e simpatizantes que têm acompanhado a instituição e contribuído para a sua continuidade. Depois dos constrangimentos vividos durante a pandemia, que afetaram também a atividade das associações culturais e musicais, David Loureiro sublinha a vontade da Banda de continuar a desenvolver os seus projetos e a cumprir os objetivos traçados para o futuro.
Música regressa aos coretos
O segundo momento das comemorações acontece a 7 de novembro, sob o mote “Música no Coreto”, levando a Banda a dois locais com uma forte ligação à tradição filarmónica.
A jornada começa às 10h00, no Coreto de Macieira de Cambra, com uma arruada e romagem ao cemitério. Às 12h00, a iniciativa repete-se no Coreto de S. Pedro de Castelões, igualmente com arruada e romagem ao cemitério.
Segue-se, às 13h30, um almoço-convívio na sede da Banda. O programa desse dia termina às 21h30, com um ensaio aberto ao público, no salão do Centro Cívico da União de Freguesias de Vila Chã, Codal e Vila Cova de Perrinho.
“Alquimia Filarmónica” encerra comemorações
O ponto alto das celebrações está marcado para 14 de novembro, num dia dedicado à “Banda de Vale de Cambra ao Vivo”.
Pelas 14h30, a instituição fará uma apresentação de cumprimentos ao Executivo da Câmara Municipal de Vale de Cambra. Às 16h30, realiza-se o concerto “Alquimia Filarmónica – 115 anos de história gravados ao vivo”, momento que pretende celebrar musicalmente o percurso da coletividade e que ficará registado.
As comemorações terminam às 19h30, com um jantar-convívio na Quinta Progresso.
Uma história que atravessa gerações
A Banda de Vale de Cambra é uma das instituições culturais mais antigas do concelho. Ao longo de mais de um século, a formação filarmónica tem mantido uma presença regular em concertos, festividades e celebrações religiosas, levando a música dentro e fora de Vale de Cambra.
Com cerca de 70 músicos, entre jovens e instrumentistas mais experientes, a Banda tem conciliado a preservação da tradição filarmónica com repertórios diversificados, que passam por obras clássicas e composições contemporâneas. Ao longo do seu percurso, conquistou também distinções em concursos nacionais.
Atualmente dirigida pelo maestro Gil Magalhães, a formação mantém na renovação de músicos uma das componentes fundamentais para assegurar a continuidade da instituição.
Essa aposta está particularmente ligada à Escola de Música António Pinho, estrutura de formação associada à Sociedade Artística Banda de Vale de Cambra. A escola recebeu o nome de António Pinho como homenagem ao músico e professor que, durante muitos anos, assegurou praticamente sozinho a formação dos novos elementos: os alunos começavam por aprender solfejo, seguiam para as primeiras aulas de instrumento e, posteriormente, integravam a Banda.
Hoje, a realidade é bastante diferente. A Escola de Música António Pinho conta com dez professores, todos membros da SABVC, e recebe alunos a partir dos dois anos e seis meses, sem limite máximo de idade. As inscrições permanecem abertas ao longo de todo o ano.
Além da aprendizagem musical, a escola procura transmitir princípios e valores aos seus alunos e, simultaneamente, preparar novos músicos para integrarem a Banda. Eufónio, clarinete, fagote, flauta transversal, oboé, percussão, saxofone, trombone, trompa, trompete e piano estão entre os instrumentos que podem ser aprendidos.
A atividade formativa inclui ainda três grandes audições anuais — a homenagem a António Pinho, a audição da Páscoa e a de final de ano —, para além de audições internas e da participação dos alunos em concertos e outras iniciativas da SABVC.
A celebração dos 115 anos procura, assim, juntar passado, presente e futuro de uma instituição cuja história se confunde com várias gerações de músicos e famílias do concelho, numa programação que a própria Banda resume através de quatro palavras: história, música, tradição e comunidade.


