Sob o mote: “Proteção ao Alcance de Todos”, a enfermeira Joana Alves, da Unidade de Saúde Familiar local, explica, em entrevista ao Voz de Cambra, a quem se destina a campanha de vacinação sazonal contra a gripe e a COVID-19, desmistifica receios associados às vacinas e reforça a importância da vacinação como um ato de responsabilidade individual e solidariedade coletiva, essencial para a proteção dos grupos mais vulneráveis da comunidade.
Cristina Maria Santos
A Campanha de Vacinação Sazonal contra a gripe e a COVID-19 já começou. Quem deve receber a vacina?
A campanha dirige-se, sobretudo, às pessoas que apresentam maior vulnerabilidade. No caso da gripe, a vacinação gratuita destina-se aos maiores de 60 anos, às grávidas, às crianças entre os 6 e os 23 meses e às pessoas com menos de 60 anos que tenham doenças crónicas ou outras condições clínicas de risco.
Relativamente à COVID-19, a vacinação abrange estes mesmos grupos, sendo que, no caso das crianças e jovens, está indicada apenas para situações de imunossupressão grave ou após avaliação clínica individual. Trata-se de uma medida fundamental para reduzir o risco de doença grave e proteger os grupos mais frágeis.
Muitas pessoas têm receio de tomar a vacina. Como responder a esses receios?
É compreensível que existam dúvidas, mas importa salientar que as vacinas utilizadas passaram por processos rigorosos de investigação, avaliação e monitorização. São seguras, eficazes e amplamente utilizadas. Os efeitos secundários são, na maioria das vezes, ligeiros e transitórios, enquanto as complicações associadas à gripe ou à COVID-19 podem ser graves, sobretudo nas pessoas mais vulneráveis. A vacinação continua a ser a melhor forma de prevenção.
No entanto, ainda existem muitos mitos associados à vacina contra a COVID-19. O que é importante esclarecer à população?
É essencial esclarecer que os mitos associados à vacinação contra a COVID-19 não têm fundamento científico. As vacinas não alteram o ADN, não afetam a fertilidade, não causam a doença e não contêm substâncias perigosas. São vacinas amplamente estudadas e administradas a milhões de pessoas em todo o mundo, com benefícios comprovados na redução de internamentos e mortalidade.
E quem já teve gripe ou COVID-19, precisa de se vacinar?
Sim. Ter tido a doença não garante proteção prolongada. A vacinação permite reforçar e prolongar a imunidade, reduzindo o risco de doença grave, internamento e complicações, sobretudo em pessoas mais velhas ou com patologias crónicas.
Como é que a população pode vacinar-se? É difícil marcar ou deslocar-se aos locais?
Não, o acesso é simples e facilitado. As pessoas elegíveis podem dirigir-se à sua Unidade de Saúde, contactar a respetiva equipa ou aguardar o agendamento automático como a SMS.
Qual é a principal mensagem que gostaria de deixar à população?
Vacinar-se é um ato de responsabilidade individual e solidariedade coletiva. Protege quem se vacina e contribui para a proteção de toda a comunidade, especialmente dos mais vulneráveis. Se reúne os critérios, não adie: a vacinação é segura e simples.

