O Centro de Artes e Espetáculos (CAE) de Vale de Cambra celebrou o seu primeiro aniversário com uma sessão pública que evidenciou o impacto do equipamento ao longo do último ano, marcado por forte adesão do público, crescimento sustentado e afirmação cultural a nível local e regional.
Cristina Maria Santos
Inaugurado a 10 de abril de 2025, o CAE soma já 12.927 espectadores distribuídos por 59 eventos, números apresentados durante a cerimónia comemorativa e que refletem uma média de mais de mil espectadores por mês e uma taxa média de ocupação de cerca de 63%. Destaque ainda para 26 eventos com ocupação superior a 75% e 11 sessões esgotadas ou praticamente esgotadas.
Na sessão, a responsável pela comunicação do CAE, Marisa Miranda, sublinhou que este primeiro ano confirmou “uma forte mobilização de públicos, regularidade de adesão, crescente notoriedade e afirmação territorial”, resultado de uma programação diversificada, de uma estratégia de comunicação consistente e de um trabalho contínuo de mediação e envolvimento da comunidade.
“Este foi, acima de tudo, um ano de construção — de programação, de públicos, de proximidade com a comunidade e de uma identidade para o CAE enquanto espaço de encontro, diálogo e criação”, afirmou, acrescentando que o espaço “não é apenas um lugar onde se apresentam espetáculos, mas onde as pessoas regressam, trazem amigos e criam memórias”.
Essa relação com o público ficou evidente nos testemunhos partilhados durante a sessão, que destacaram o impacto do CAE na vida cultural do concelho. “Vale de Cambra estava muito para baixo. A partir do momento em que abriu o CAE temos mais espetáculos, mais opções de arte”, referiu um espectador, enquanto outro sublinhou que o espaço “trouxe uma nova dinâmica e uma nova vida cultural”, criando oportunidades para contactar com diferentes linguagens artísticas.
A dimensão do CAE enquanto espaço de encontro e partilha foi também salientada: “É muito bom ter um lugar onde as pessoas podem contar as suas histórias e ser ouvidas”, destacou um participante, enquanto outros elogiaram a diversidade da programação e a possibilidade de assistir a espetáculos com artistas nacionais e internacionais, algo até então pouco acessível no concelho.
Os testemunhos evidenciam ainda a capacidade de atração do equipamento, com público vindo de diferentes regiões e até do estrangeiro, contribuindo para “abrir horizontes” e reforçar o papel da cultura no desenvolvimento local.
Também a vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Vale de Cambra, Mónica Seixas, destacou a importância destes resultados, afirmando que “os testemunhos dão vida àquilo que foi o investimento do município”. “Devolvemos este espaço à comunidade e é um orgulho enorme ver esta casa com o público, parceiros e artistas”, referiu, classificando o primeiro ano como “um ano de sucesso”, sustentado numa programação eclética e de qualidade, já com projeção nacional e em crescimento para uma dimensão internacional.
Por sua vez, o diretor artístico, João Aidos, descreveu este primeiro ano como “uma viagem”, sublinhando a importância de uma programação diversificada e do trabalho em rede com diferentes entidades e equipamentos do concelho, como bibliotecas, associações e instituições sociais.
Para além da programação regular, o CAE afirma-se também como um espaço multifuncional, tendo ao longo do ano explorado todos os espaços que dispõe desde, o auditório, café-concerto, área expositiva, sala estúdio, dinamizando diferentes atividades em articulação com outros espaços e equipamentos do território.
Um dos pilares deste trabalho tem sido o ECO – Serviço de Mediação e Participação, responsável por envolver centenas de participantes em visitas, oficinas e projetos comunitários, reforçando a ligação entre o CAE e a população.
A sessão integrou-se na programação comemorativa do aniversário, que decorre até 18 de abril e inclui iniciativas como o concerto “A luz dos dedos”, o projeto participativo “SOMA” e a estreia do Grupo de Teatro Juvenil com o espetáculo “Insegura – uma tragédia de enganos”.
“Há um ano a fazer-se. E ainda agora começou”, resumiu Marisa Miranda, refletindo o espírito de um projeto que continua em construção, mas que já se afirma como o centro da vida cultural em Vale de Cambra.
No final, Mónica Seixas deixou ainda um apelo à comunidade para que continue a envolver-se com o equipamento cultural, convidando todos a visitar o CAE e a participar nas suas atividades, sublinhando que este é “um espaço aberto, pensado para todos e construído com todos”.



