A deputada social-democrata Adriana Rodrigues manifestou preocupação com os efeitos das tarifas e do mecanismo carbónico europeu no setor metalúrgico, alertando para perda de competitividade e risco de deslocalização de empresas, com impacto direto em territórios industriais como Vale de Cambra.
Cristina Maria Santos
A deputada do PSD Adriana Rodrigues alertou, na Assembleia da República, para os impactos das políticas europeias no setor metalúrgico e metalomecânico, manifestando preocupação com a perda de competitividade e o risco de deslocalização de empresas.
Durante uma audição ao eurodeputado Paulo Cunha, a parlamentar — que também preside à Assembleia Municipal de Vale de Cambra — sublinhou que o setor enfrenta “uma pressão sem precedentes”, destacando o aumento dos custos das matérias-primas, como o aço e o alumínio, agravado pelas tarifas europeias.
O alerta ganha particular relevância no contexto de Vale de Cambra, um concelho com forte tradição industrial e onde a metalomecânica assume um papel central na economia local, sendo responsável por uma fatia significativa do emprego e da atividade exportadora. Qualquer quebra de competitividade neste setor poderá, por isso, ter efeitos diretos no tecido empresarial e no emprego da região.
Adriana Rodrigues apontou ainda o impacto do Mecanismo de Ajustamento Carbónico Fronteiriço (CBAM), referindo que os custos associados às emissões de dióxido de carbono já são elevados e deverão continuar a subir no curto prazo. Segundo a deputada, esta realidade tem sido transmitida pela AIMMAP, que representa o setor.
“Estamos a falar de um setor estruturante para a economia portuguesa, fortemente exportador, intensivo em tecnologia e responsável por milhares de postos de trabalho qualificados”, afirmou, acrescentando que as atuais condições estão a comprometer seriamente a competitividade das empresas nacionais.
A social-democrata alertou também para sinais crescentes de deslocalização da produção para países com custos mais baixos, com posterior reentrada desses produtos no mercado europeu. Para Adriana Rodrigues, este cenário levanta dúvidas sobre a eficácia das políticas comunitárias e evidencia um “dilema central” da União Europeia: conciliar metas climáticas ambiciosas com a manutenção de uma base industrial competitiva.
Por seu lado, Paulo Cunha garantiu que o CBAM está a ser acompanhado de perto pelas instituições europeias e que a Comissão Europeia assegura que as receitas geradas serão aplicadas no apoio à transição energética da indústria.
O eurodeputado defendeu ainda a necessidade de assegurar condições de concorrência justa no mercado europeu, salientando que empresas de fora da União Europeia operam frequentemente com custos mais baixos por não estarem sujeitas às mesmas exigências ambientais. “A solução não é eliminar a concorrência, mas garantir que seja justa”, afirmou, alertando para o risco de deslocalização de empresas europeias caso esse equilíbrio não seja alcançado.

