Vale de Cambra assinalou esta quarta-feira, 20 de maio, o 33.º aniversário da sua elevação a Cidade e das freguesias de São Pedro de Castelões e Macieira de Cambra a Vilas, numa jornada marcada pela celebração da identidade do concelho, pelo reconhecimento institucional e pela evocação de figuras que marcaram a história local.
Cristina Maria Santos
As comemorações começaram pelas 09h00, com o hastear das bandeiras nos Paços do Concelho, seguindo-se, durante a tarde, uma visita às principais obras em curso no município, entre elas as obras em curso do Centro de Saúde de Junqueira, a Quinta do Ribeiro (antigas instalações da Academia de Música de Vale de Cambra), que virá a ser uma Casa da Juventude e os 20 fogos da Estratégia Local de Habitação, na zona dos Ramilos.
O momento mais marcante do programa aconteceu na Sessão Solene Comemorativa, realizada ao final da tarde, onde foram homenageados trabalhadores do Município, descerradas as fotografias dos presidentes cessantes dos órgãos municipais e entregue, a título póstumo, a Medalha de Ouro do Município a António Júlio Correia Teixeira da Silva.
A cerimónia transformou-se num tributo à memória de uma das personalidades mais influentes da história recente de Vale de Cambra. Todos os oradores — presidente da Câmara Municipal, André Martins da Silva, a presidente da Assembleia Municipal Municipal, Adriana Rodrigues, do ex-presidente da Câmara, José Pinheiro e ex-presidente da Assembleia Municipal, Miguel Paiva — convergiram na mesma ideia: António Júlio Correia Teixeira da Silva foi muito mais do que um médico respeitado. Foi um homem honrado, visionário, humanista e profundamente ligado à sua terra e às suas gentes.
Foi recordado como um profissional de qualidades humanas irrefutáveis, homem de causas e de família, amigo do seu amigo, mas também como figura determinante na construção democrática do concelho, motor da fundação do PPD em Vale de Cambra, fundador e diretor do jornal A Voz de Cambra e protagonista ativo da vida política, social e cultural valecambrense.
O presidente da Câmara Municipal, André Martins da Silva sublinhou a dimensão nacional do percurso do homenageado, afirmando:
“Ao entregarmos esta distinção à sua família, não estamos apenas a recordar o homem e o médico; estamos a honrar o deputado da assembleia constituinte que ajudou a erguer as fundações do Portugal democrático e da nossa constituição de 1976. O Dr. António Júlio Correia Teixeira da Silva elevou o nome de Vale de Cambra ao mais alto nível da vida pública nacional, deixando-nos um exemplo de ética, cidadania e amor à sua terra. Que esta Medalha de Ouro seja o eterno obrigado de toda uma cidade que jamais esquecerá o seu contributo”, afirmou.
Também a presidente da Assembleia Municipal, Adriana Rodrigues destacou o papel cívico e humano do antigo deputado constituinte:
“Falar do doutor António Júlio é falar de uma personalidade incontornável da história recente de Vale de Cambra. Médico de profissão, serviu gerações de valecambrenses com competência, proximidade e humanidade. Homem de convicções, de intervenção cívica e de profundo sentido democrático, esteve na linha da frente da construção da democracia no nosso concelho”, sublinhou. A responsável acrescentou ainda que “mais importante do que os cargos que exerceu foi a forma como sempre colocou o conhecimento, a sua voz e a sua ação ao serviço da comunidade”.
Discurso emocionado da filha Rosa Anita marcou cerimónia
Um dos momentos mais emocionantes da sessão foi protagonizado por Rosa Anita, filha de António Júlio Correia Teixeira da Silva, que, em representação da família, deixou um testemunho profundamente humano e pessoal sobre o pai.
No seu discurso, descreveu-o como “um homem de paixões”, destacando a forma intensa como viveu cada dimensão da sua vida.
“A sua paixão pela vida fez com que cada dia não fosse apenas mais um dia, mas uma oportunidade para aprender, conviver, rir e celebrar”, lembrou.
Rosa Anita evocou também a dedicação incondicional à família:
“A paixão pela família era o seu porto de abrigo e o seu orgulho.”
E acrescentou que foi “um marido extremoso, pai carinhoso, presente, consciente e íntegro nas decisões quando as circunstâncias o exigiam.”
Num dos momentos mais sentidos da intervenção, destacou a relação próxima que o pai mantinha com as pessoas:
“A sua grande virtude era saber escutar e partilhar palavras de conforto. A sua proximidade com os outros, a solidariedade, humildade e confiança que incutia nas pessoas fez com que passados 43 anos do seu desaparecimento físico, seja raro o dia em que não ouço o seu nome com carinho”, revelou.
Rosa Anita recordou ainda o amor do pai por Vale de Cambra, definindo-o como “um embaixador da terra onde pertencia”, e salientou o seu empenho social, cultural e político: “A sua ligação à terra e às suas gentes levou-o a uma dedicação intensa a diversas instituições e associações de âmbito desportivo, social e cultural.”
A intervenção terminou sob forte emoção, com um agradecimento da família ao Município e aos órgãos autárquicos pela homenagem prestada.

