A Escola Básica das Dairas abriu as portas à comunidade para mais uma edição do Sarau Escolar, uma iniciativa promovida pela Associação de Pais e Encarregados de Educação que assinalou o final de mais um ano letivo e prestou homenagem aos alunos finalistas do 9.º ano, aos funcionários, à coordenação da escola e à direção do Agrupamento de Escolas de Búzio. O talento dos alunos, a aposta na “prata da casa” e a união entre escola e famílias estiveram em destaque do evento que decorreu no dia 2 de junho e que voltou a transformar a escola num palco de criatividade, convívio e reconhecimento da comunidade educativa.
Cristina Maria Santos
Realizado ao final da tarde para permitir uma maior participação das famílias, o evento destacou-se este ano por uma particularidade: todas as atuações foram asseguradas pelos próprios alunos da escola, com o apoio dos professores, num verdadeiro espetáculo da chamada “prata da casa”.
Música, dança, teatro, declamação, karaoke e apresentações audiovisuais compuseram um programa diversificado que colocou dezenas de alunos em palco, desde os mais novos aos finalistas. Entre as atuações estiveram os alunos do ensino articulado de música, apresentações individuais de instrumentos como acordeão, eufónio e oboé, várias coreografias preparadas pelos estudantes, peças de teatro desenvolvidas na Oficina de Teatro e até canções originais criadas pelos próprios alunos.
A iniciativa marcou igualmente o reconhecimento dos 64 alunos finalistas do 9.º ano, numa cerimónia que procurou valorizar o percurso realizado na escola antes da passagem para o ensino secundário.
A associação de pais sublinha que o sarau regressou há cinco anos, após uma interrupção motivada pelas obras de requalificação da escola e pela transferência temporária das atividades letivas. Desde então, tem-se afirmado como um dos momentos mais aguardados pela comunidade educativa.
Para o presidente da Associação de Pais, Rui Paiva, a palavra-chave desta escola é precisamente “união”.
“O nosso objetivo é mostrar que esta é uma escola feliz e que prepara os alunos para o futuro. Os 64 finalistas saem daqui enriquecidos pelas experiências que viveram e pela forma como foram acompanhados”, afirmou.
Segundo o dirigente, a abertura demonstrada pela coordenação e pela direção tem sido essencial para o desenvolvimento das iniciativas promovidas pela associação.
“Sentimo-nos à vontade dentro da escola. Há uma porta aberta para tudo aquilo que possa beneficiar os alunos. Essa união entre associação, coordenação, professores, funcionários e direção é uma das grandes forças desta escola”, destacou.
Também para Cândida, membro da Associação de Pais e uma das organizadoras, o principal objetivo passa por mostrar que a escola é também um espaço de convivência e participação.
“Queremos motivar os alunos a terem iniciativas e perceberem que a escola tem também uma componente de convívio. E queremos chamar os pais à escola, porque isso continua a ser algo raro”, afirmou ao Voz de Cambra.
A encarregada de educação destacou ainda que o sucesso da organização resulta do envolvimento coletivo de toda a comunidade escolar.
“No início organizar tudo parece difícil, mas depois torna-se mais fácil porque os próprios professores, a direção, os funcionários, todos se envolvem. Só assim conseguimos fazer acontecer”, sublinhou.
Também o coordenador da Escola das Dairas, César Ferreira, valorizou o papel da associação de pais e a importância de aproximar as famílias da vida escolar.
“O importante é trazer os pais à escola e proporcionar aos alunos um momento diferente. Muitas famílias nem sabem bem o que é uma associação de pais e estas iniciativas ajudam a mostrar o trabalho que é feito”, referiu.
O responsável considera que o ambiente de proximidade vivido nas Dairas tem sido determinante para o sucesso destas atividades.
“Há uma grande união entre todos. A escola é pequena, isso ajuda, mas existe realmente um espírito de colaboração que facilita muito este tipo de projetos”, acrescentou.
Por sua vez, a professora Tânia Bastos, da coordenação da Escola das Dairas, salientou que a edição deste ano procurou dar ainda mais protagonismo aos alunos.
“Em vez de convidarmos participantes externos, decidimos mostrar aquilo que os nossos alunos são capazes de fazer. Muitos propuseram-se voluntariamente para cantar, dançar ou apresentar trabalhos perante colegas, professores e familiares. Isso exige coragem e merece ser valorizado”, afirmou.
A docente destacou ainda que algumas das atuações foram preparadas por alunos sem qualquer formação artística formal, o que tornou o desafio ainda mais significativo.
“Temos alunos autodidatas que decidiram subir ao palco e enfrentar o público. Isso demonstra confiança, criatividade e vontade de participar. Sem eles nada disto seria possível”, disse.
O diretor do Agrupamento de Escolas de Búzio, Pedro Martins, também marcou presença na iniciativa e enalteceu o trabalho conjunto desenvolvido na Escola das Dairas, considerando o sarau um exemplo do que pode ser alcançado quando existe uma verdadeira parceria entre escola e famílias.
Pedro Martins destacou igualmente que o Agrupamento está sempre aberto a iniciativas que promovam o bem-estar dos alunos e reforcem a relação entre a escola e as famílias. O responsável considera que a participação dos pais na vida escolar constitui um fator importante para o sucesso educativo e para a construção de uma comunidade educativa mais próxima e envolvida.
A noite terminou com o sentimento de missão cumprida e com a certeza de que o sarau continua a ser um dos momentos mais emblemáticos da comunidade educativa das Dairas, celebrando não apenas o talento dos alunos, mas também os laços de cooperação que unem pais, professores, funcionários e direção em torno de um objetivo comum: fazer da escola um lugar feliz para aprender e crescer.

