O novo conceito “Myrtillus Fusion – Market, Food, Experience” marcou a abertura oficial da 18.ª Feira Nacional do Mirtilo, em Sever do Vouga. A cerimónia contou com a presença da Secretária de Estado Adjunta e da Juventude e da Igualdade, Carla Rodrigues, que destacou o mirtilo como a grande imagem de marca do concelho e elogiou a capacidade dos severenses para transformar um recurso natural numa referência nacional e internacional.
Cristina Maria Santos
A 18.ª Feira Nacional do Mirtilo abriu oficialmente portas nesta sexta-feira, 26 de junho, no Parque Urbano de Sever do Vouga, dando início a três dias dedicados à promoção daquele que é o principal símbolo económico e identitário do concelho. Este ano, o certame apresenta-se renovado através do conceito “Myrtillus Fusion – Market, Food, Experience”, apostando numa maior ligação entre os produtores, a gastronomia de autor, a cultura e a animação.
Presente na inauguração, a Secretária de Estado Adjunta e da Juventude e da Igualdade, Carla Rodrigues, mostrou-se impressionada com a dimensão do evento e com a capacidade de Sever do Vouga em afirmar o mirtilo como uma marca de excelência.
Em declarações ao Voz de Cambra, a governante afirmou ter recebido “um acolhimento excelente” e revelou que, apesar de já conhecer Sever do Vouga, era a primeira vez que visitava a Feira Nacional do Mirtilo.
“Já provei muito mirtilo, compota de mirtilo, licor de mirtilo. É um produto extraordinário que leva o nome deste concelho além-fronteiras pelas melhores razões. É um fruto muito bom para a saúde, agradável ao paladar e extremamente versátil, porque dá origem a inúmeros produtos, desde a gastronomia à doçaria”, destacou.
Para Carla Rodrigues, o mirtilo representa muito mais do que um produto agrícola.
“É mesmo a imagem de marca deste concelho. Mostra também a versatilidade, a resiliência e o trabalho desta gente. É um excelente cartão de visita para Sever do Vouga e para os severenses”, frisou.
A governante sublinhou ainda a importância de um concelho do interior conseguir afirmar-se através dos seus recursos naturais.
“Sever do Vouga é um concelho pequeno em população, mas grande em área, em qualidade, em história, em beleza natural e neste maravilhoso produto. É extraordinário que um concelho com estas características se tenha afirmado em Portugal e no estrangeiro pela qualidade de um produto que soube potenciar. No fundo, é preciso potenciar aquilo que temos e Sever do Vouga soube potenciar aquilo que a natureza lhe deu”, reforçou.
O certame contou com a presença dos vereadores da Câmara de Sever do Vouga e também do novo diretor do Centro Distrital de Aveiro do Instituto da Segurança Social, José Licínio Tavares Pimenta.
“Era necessário repensar a Feira”
Também em declarações ao Voz de Cambra, o presidente da Câmara Municipal de Sever do Vouga, Pedro Amadeu Lobo, explicou que a 18.ª edição representa um ponto de viragem na história do certame.
“Chegámos à maioridade da Feira Nacional do Mirtilo e percebemos que era necessário repensar este evento. Não queríamos uma feira meramente vestida com concertos. Queríamos um evento diferente, pensado para que as pessoas desfrutem deste espaço magnífico que é o Parque Urbano e de uma experiência ligada ao futuro”, afirmou.
Segundo o autarca, a principal inovação passa pela valorização da gastronomia.
“Pegámos nos sabores tradicionais da nossa terra — como a batata assada, os rojões e outros pratos típicos — e demos-lhes um toque contemporâneo através da introdução do mirtilo. Esta é uma ruptura com aquilo que se fez durante anos, mas também uma evolução que entendíamos ser necessária”, sublinhou.
Mirtilo continua a ser a grande marca do concelho
Questionado sobre os desafios de manter Sever do Vouga como Capital do Mirtilo, Pedro Amadeu Lobo recordou que foi neste território que nasceu a produção nacional daquele fruto.
“Hoje existe mirtilo um pouco por todo o país, mas todos sabem que foi aqui que nasceu a sua produção. As primeiras plantações experimentais foram feitas na freguesia de Rocas do Vouga, graças às condições edafoclimáticas únicas deste território”, explicou.
O edil aproveitou ainda para lembrar que Sever do Vouga possui outros importantes fatores de afirmação, desde a forte indústria metalomecânica ao circuito do Alto do Roçário, conhecido pelas provas nacionais de ralicross e autocross, passando pelo património mineiro do Braçal.
Convite aos valecambrenses
No final da entrevista, Pedro Amadeu Lobo deixou um convite especial aos leitores do Voz de Cambra e aos habitantes de Vale de Cambra.
“Vale a pena vir a Sever do Vouga. Hoje já há mirtilo em muitos locais, mas aqui as pessoas podem experimentar uma gastronomia completamente diferente, onde o mirtilo dá uma nova vida aos pratos tradicionais. Há também artesanato, produtores, empresas, associações e uma programação musical para vários públicos. É precisamente esta experiência completa que quisemos criar com o novo conceito da Feira”, lembrou.
Até domingo, o Parque Urbano de Sever do Vouga continua a receber centenas de expositores, produtores, artesãos, chefs convidados, animação permanente e concertos, naquela que é uma das maiores iniciativas de promoção turística, gastronómica e económica da região.











