A antiga campeã olímpica Rosa Mota recebeu, esta segunda-feira, no Salão Nobre dos Paços do Concelho da Câmara Municipal de Lisboa, o Grande Prémio da Fundação Ilídio Pinho 2025, a mais elevada distinção atribuída pela instituição fundada pelo empresário e mecenas valecambrense Ilídio Pinho. Criada em memória do seu filho, Ilídio Pedro, a Fundação tornou-se uma referência nacional na promoção da educação, da cultura, da ciência e da inovação. O Grande Prémio da Portugalidade distingue anualmente personalidades de excecional mérito e projeção internacional na promoção e defesa dos valores da portugalidade. A cerimónia contou com a presença de Marcelo Rebelo de Sousa, Carlos Moedas e diversas personalidades da vida pública nacional.
Cristina Maria Santos
A antiga campeã olímpica Rosa Mota recebeu, esta segunda-feira, no Salão Nobre dos Paços do Concelho da Câmara Municipal de Lisboa, o Grande Prémio da Fundação Ilídio Pinho 2025, a mais elevada distinção atribuída pela instituição fundada pelo empresário e mecenas Ilídio Pinho, natural de Vale de Cambra. O prémio – com um valor de 100.000 euros – distingue personalidades de excecional mérito e projeção internacional na promoção e defesa dos valores da portugalidade.
A cerimónia foi iniciada por Carlos Magno, diretor-geral do Grande Prémio Portugalidade, reunindo diversas personalidades dos meios político, académico, cultural e desportivo. Entre os presentes estiveram o antigo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, o secretário de Estado do Desporto, Pedro Dias e o presidente do Comité Olímpico de Portugal, Fernando Gomes.
Rosa Mota tornou-se a primeira mulher a receber esta distinção, passando a integrar um restrito grupo de galardoados onde figuram o Cardeal D. José Tolentino de Mendonça, o arquiteto Álvaro Siza Vieira e o General António Ramalho Eanes. A escolha foi feita por unanimidade pelo júri da Fundação, do qual fez parte, entre outras personalidades, o presidente da Câmara Municipal de Vale de Cambra, André Martins da Silva.
Ilídio Pinho destaca a portugalidade e o exemplo da homenageada
Na abertura da cerimónia, Ilídio Pinho, empresário e mecenas natural de Vale de Cambra, explicou que o Grande Prémio da Fundação Ilídio Pinho nasceu para distinguir portugueses que, pelo seu percurso e exemplo, projetam o nome de Portugal além-fronteiras e representam os mais elevados valores da portugalidade.
“Portugal precisa de exemplos, de pessoas como aqui, que possam ter o orgulho de dizer sem hesitar: ‘Se eu não tivesse nascido, esta obra não teria acontecido’”, afirmou, sublinhando que a Fundação procura reconhecer personalidades cuja ação deixa uma marca duradoura no país e no mundo.
Visivelmente satisfeito com o ambiente vivido no Salão Nobre dos Paços do Concelho, Ilídio Pinho destacou ainda o simbolismo da cerimónia. “Estou muito feliz com esta sessão. Com todos vós, criou-se uma atmosfera neste Salão Nobre em que se respira portugalidade e amor à Pátria”, afirmou.
Referindo-se à homenageada, o fundador da Fundação destacou que Rosa Mota não precisou de procurar esta distinção, tendo sido a própria instituição a reconhecer o seu percurso ímpar. “Rosa Mota não precisou de correr para conquistar a medalha da portugalidade. Foi a Fundação Ilídio Pinho que correu o mundo à procura dos portugueses mais extraordinários até a encontrar para lhe atribuir esta medalha, desenhada por Álvaro Siza Vieira”, disse.
Ilídio Pinho revelou também a emoção com que a antiga campeã olímpica recebeu a notícia da distinção. “Rosa Mota comoveu-me quando me disse que este prémio era, para ela, muito maior do que muitas maratonas”, recordou.
Concluindo a sua intervenção, manifestou a convicção de que a escolha não podia ser mais acertada. “O Grande Prémio Fundação Ilídio Pinho Portugalidade fica assim muito bem entregue à primeira mulher que o júri decidiu distinguir”, afirmou, perante uma plateia que aplaudiu longamente a campeã olímpica.
“Levo sempre um pouco de Portugal comigo”
Visivelmente emocionada, Rosa Mota afirmou sentir uma enorme honra por suceder às três personalidades anteriormente distinguidas e por ser a primeira mulher a receber o galardão. A antiga atleta recordou a forte ligação que sempre manteve com as comunidades portuguesas emigrantes, evocando o apoio que recebeu ao longo da sua carreira em países como o Brasil, o Japão ou Macau.
A cerimónia teve um significado ainda mais especial por coincidir com o seu 68.º aniversário, assinalado no final da manhã com a entrega de um bolo de aniversário e de um ramo de flores, num momento de homenagem calorosamente aplaudido pelos convidados.
“Este prémio fez-me olhar para trás e perceber ainda melhor a importância desta portugalidade. Onde quer que vá, sei que levo um pouco de Portugal comigo e regresso com um Portugal maior, o dos portugueses espalhados pelo mundo”, afirmou, considerando que esse sentimento a acompanhou ao longo de toda a sua vida desportiva.
Rosa Mota conquistou a medalha de ouro na maratona dos Jogos Olímpicos de Seul, em 1988, depois de ter alcançado o bronze em Los Angeles, em 1984. Foi ainda campeã do mundo e tricampeã europeia da maratona, sendo considerada uma das maiores figuras da história do desporto português.
Carlos Moedas e Marcelo Rebelo de Sousa enaltecem legado da campeã olímpica
Na sua intervenção, Carlos Moedas enalteceu o percurso da homenageada, considerando que Rosa Mota representa muito mais do que uma campeã olímpica. O autarca lembrou que a atleta ajudou a mudar a história do desporto feminino, abrindo caminho para novas gerações de mulheres atletas.
“Rosa Mota não ganhou apenas para ela. Ganhou para todos os atletas que vieram a seguir. Abriu caminho, mostrou que era possível”, afirmou o presidente da Câmara de Lisboa, acrescentando que a antiga campeã continua, ainda hoje, a inspirar milhares de pessoas através do exemplo, da humildade e da dedicação ao desporto.
Já Marcelo Rebelo de Sousa destacou que cada um dos premiados representa uma dimensão distinta da portugalidade e considerou que Rosa Mota simboliza os valores do esforço, da superação, da simplicidade e da humildade. O antigo Presidente da República recordou as madrugadas em que milhões de portugueses acompanharam as suas provas internacionais e afirmou que a antiga maratonista permanece como uma das figuras mais inspiradoras da história contemporânea de Portugal.
Criado em 2022, o Grande Prémio da Fundação Ilídio Pinho distingue anualmente personalidades nacionais vivas que, através do seu percurso, contribuem para afirmar Portugal no mundo e promover os valores da portugalidade. A distinção conta com o Alto Patrocínio do Presidente da República e é atualmente considerada uma das mais prestigiadas atribuídas a personalidades portuguesas.
______




Além da entrega do Grande Prémio a Rosa Mota, a cerimónia ficou igualmente marcada pela atribuição da Medalha Municipal de Mérito Cultural da Câmara Municipal de Lisboa a Ilídio Pinho, numa homenagem ao percurso do empresário valecambrense enquanto mecenas, promotor da cultura, da educação, da ciência e da inovação.

