Medida torna-se permanente e recupera iniciativa lançada em 2016; um dos primeiros beneficiários é uma criança de Junqueira, de Vale de Cambra, hoje com 10 anos.
Cristina Maria Santos
Todos os bebés que, a partir deste ano, nascerem na maternidade do Hospital de S. Sebastião, em Santa Maria da Feira, durante o período da Viagem Medieval, passarão a beneficiar de acesso gratuito vitalício ao maior evento de recriação histórica do país. A iniciativa, anunciada pelo Município de Santa Maria da Feira, recupera e torna permanente uma medida que tinha sido aplicada apenas em 2016, aquando da celebração dos 20 anos da Viagem Medieval.
Para Vale de Cambra, a iniciativa tem um significado especial: um dos primeiros bebés a receber este salvo-conduto vitalício nasceu precisamente em 2016 e é natural da freguesia de Junqueira. Hoje, com 10 anos, continua a ser um dos rostos desta ligação entre a Viagem Medieval e as famílias da região. Dez anos depois, o Município volta a oferecer este benefício, agora de forma contínua e para todas as crianças que nascerem durante o evento.
Além do cartão de acesso gratuito para toda a vida, os recém-nascidos continuarão a receber o diploma de “Infante da Terra de Santa Maria”, uma distinção simbólica criada para assinalar o nascimento durante os dias da Viagem Medieval.
Em 2026, a medida abrangerá todos os bebés nascidos na maternidade do Hospital da Feira entre 28 de julho, data do espetáculo contemporâneo de abertura, e 9 de agosto, último dia da edição que assinala os 30 anos da Viagem Medieval. Terminado o evento, a Unidade Local de Saúde Entre Douro e Vouga enviará ao Município a lista dos nascimentos, permitindo a emissão dos cartões personalizados, que serão posteriormente entregues às famílias.
O presidente da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira, Amadeu Albergaria, explica que o regresso da iniciativa pretende “homenagear e celebrar as novas gerações que simbolizam o futuro e a continuidade deste projeto transformador”, reforçando simultaneamente “o sentimento de identidade e pertença dos feirenses e santamarianos pelo evento” e valorizando “a excelência do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia da ULS Entre Douro e Vouga”.
O autarca recorda ainda que, embora todas as crianças e jovens que residem ou estudam no concelho de Santa Maria da Feira recebam anualmente uma pulseira de acesso gratuito à Viagem Medieval, esta distinção assume um simbolismo muito particular.
“O simbolismo de um bebé vir ao mundo durante o evento na maternidade da nossa terra, de ser nomeado Infante da Terra de Santa Maria e de poder usufruir gratuitamente desta experiência ao longo de toda a sua vida é algo que ficará para sempre na memória de cada família envolvida e de toda a comunidade”, afirma.
Amadeu Albergaria salienta igualmente que a maternidade do Hospital de S. Sebastião acolhe não apenas bebés do concelho de Santa Maria da Feira, mas também de vários municípios vizinhos das Terras de Santa Maria, entre os quais Vale de Cambra, reforçando a dimensão regional da iniciativa.
Também o presidente do Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde Entre Douro e Vouga, Carlos Alberto Silva, destaca o significado desta parceria.
“Para a ULS, ser a ‘casa’ onde nascem os ‘Infantes das Terras de Santa Maria’ confere uma dimensão especial à missão das nossas equipas da maternidade. Este salvo-conduto é um gesto que reconhece o trabalho de excelência que os nossos profissionais asseguram diariamente, garantindo que a segurança e a qualidade dos cuidados acompanham o início da vida daqueles que são o futuro da nossa comunidade.”
O projeto “Infantes da Terra de Santa Maria” nasceu em 2016, numa parceria entre a Viagem Medieval e o Hospital de S. Sebastião. Nesse ano, por ocasião dos 20 anos do evento, os 67 bebés nascidos durante a recriação histórica receberam, de forma excecional, um salvo-conduto vitalício, entregue simbolicamente pela personagem da Rainha Santa Isabel, evocando a sua passagem pela Terra de Santa Maria durante o reinado de D. Dinis.
Dez anos depois, a iniciativa deixa de ser excecional para passar a integrar, de forma permanente, a história da Viagem Medieval, perpetuando a ligação entre o maior evento cultural do concelho e as novas gerações que ali começam a sua vida.

