O presidente do CDS-PP, Nuno Melo, anunciou, nesta quinta-feira, dia 19 de fevereiro, em Vale de Cambra, que se irá recandidatar à liderança do partido no próximo congresso nacional – marcado para 16 e 17 de maio – assumindo como prioridade estratégica o reforço interno da estrutura partidária e defendendo a construção de “um partido que valha por si”.
Cristina Maria Santos
A declaração foi feita durante o Conselho Nacional, realizado no Centro Cívico de Vila Chã, onde o líder centrista voltou a sublinhar a necessidade de consolidar o CDS enquanto força política autónoma e preparada para os próximos desafios eleitorais.
“É preciso reforçar o partido, de forma a que o CDS valha por si e não tenha medo de ir à luta. Não nos diminuímos enquanto partido”, afirmou.
Nuno Melo respondeu ainda às vozes que, no passado, apontaram o declínio do partido, assegurando que o CDS “está vivo” e com capacidade para voltar a governar, sem coligação, defendendo simultaneamente que o partido deve saber distinguir-se da oposição, mas sem fazer oposição ao Governo.
Um dos pontos da reunião serviu para fazer uma análise dos resultados eleitorais das Presidenciais 2026. Nuno Melo recordou que o CDS não apresentou candidato próprio em 2026, mas assumiu que gostaria que o partido viesse a ter um candidato numa próxima disputa presidencial. Sobre o recém-eleito Presidente da República, António José Seguro, desejou que seja “um mandato estável”, manifestando a convicção de que o novo Chefe de Estado não estará “para fazer cair o Governo ou ser oposição”.
Apelo à mobilização e reforço interno
Para os próximos três anos, o líder centrista traçou um objetivo claro: “reforçar internamente o Partido, para mais tarde enfrentar outras batalhas”, nomeadamente as próximas eleições autárquicas.
Nuno Melo apelou à mobilização dos militantes, pedindo “capacidade de planeamento, entrega e gente nova”, de forma a aumentar o número de candidatos e de autarcas eleitos.
Recorde-se que o CDS conseguiu reeleger seis câmaras nas últimas autárquicas e conquistar mais uma em coligação com o PSD. Ainda assim, a ambição passa por alargar a implantação autárquica e reforçar a autonomia política do partido, mesmo mantendo entendimentos estratégicos.
Congresso marcado para maio
O Conselho Nacional aprovou a convocação do 32.º Congresso – Ordinário – que deverá realizar-se nos dias 16 e 17 de maio. Foram ainda discutidos e votados o regulamento de eleição de delegados e o regulamento do congresso, bem como eleita a Comissão Organizadora, que terá como presidente Pedro Morais Soares, atual secretário-geral. Fazem também parte desta comissão, Pedro Magalhães – secretário geral adjunto do CDS-PP, presidente da distrital de Aveiro do CDS-PP, ex-presidente da comissão política do partido em Vale de Cambra e que também ocupa funções de adjunto do Gabinete de Apoio ao Presidente da Câmara Municipal de Vale de Cambra -, Tiago Sá, João Viegas, Ricardo Sequeira, Isaque Pinto, Ana Paula Dias, João Pais e Sandra João.
O congresso é o órgão máximo do partido, responsável pela eleição dos dirigentes nacionais, assumindo-se como momento determinante para o futuro da liderança agora novamente colocada a sufrágio por Nuno Melo.
Aveiro quer crescer e conquistar Vagos
Durante a reunião, Pedro Magalhães – ex-presidente da comissão política do partido em Vale de Cambra e que também ocupa funções de adjunto no gabinete de apoio pessoal na Câmara Municipal de Vale de Cambra – garantiu que o partido já está a preparar os próximos desafios eleitorais.
No distrito, o objetivo passa por conquistar uma quarta câmara municipal, apontando concretamente ao município de Vagos. O dirigente integra ainda a Comissão Organizadora do próximo congresso, ocupando o segundo lugar na lista aprovada.
O simbolismo político de Vale de Cambra
O Conselho Nacional decorreu no Centro Cívico de Vila Chã, no concelho de Vale de Cambra, escolha que Nuno Melo considerou carregada de simbolismo político.
“Realizar este conselho nacional em Vale de Cambra tem um simbolismo de um concelho pelo qual lutámos muito e até ao último momento nas últimas eleições autárquicas, tendo reconquistado esse executivo, com muita satisfação. O André Martins da Silva e a sua equipa terão grandes mandatos pela frente”, afirmou.
Também o presidente da Câmara Municipal de Vale de Cambra, André Martins Silva, destacou a importância da presença da estrutura nacional no concelho, sublinhando que é “prova de que Vale de Cambra e os seus autarcas são importantes para o partido”.
A reunião ficou marcada pelo anúncio formal da recandidatura de Nuno Melo, pela preparação do congresso nacional e por uma mensagem clara de mobilização e reforço interno, com os olhos postos nos próximos ciclos eleitorais.




