Cerca de 500 pessoas participaram, esta terça-feira, no Dia Diocesano do Frágil, que decorreu no Pavilhão da Associação Cultural e Recreativa de São Pedro de Castelões, em Vale de Cambra. Organizado pelo Secretariado Diocesano do Movimento da Mensagem de Fátima, com a colaboração do Secretariado Paroquial de São Pedro de Castelões, o encontro reuniu idosos, doentes, familiares, voluntários e representantes de várias comunidades da Diocese do Porto, contando com a presença do Bispo Auxiliar do Porto e assegurando acompanhamento permanente através de uma equipa composta por quatro médicos e duas enfermeiras.
Cristina Maria Santos
Ao longo do dia, o Pavilhão da Associação Cultural e Recreativa (ACR) foi palco de momentos de oração, convívio e partilha, num encontro que procurou recordar que as pessoas mais frágeis continuam a ocupar um lugar central na vida da Igreja e das comunidades.
Além das centenas de participantes, marcaram presença no encontro diversas entidades religiosas, civis e sociais do concelho, entre as quais os párocos José Araújo e Adão Cunha; a representante da Assembleia Municipal de Vale de Cambra, Joana Almeida; a vereadora da Ação Social, Mónica Seixas; o presidente da Junta de Freguesia de São Pedro de Castelões, Carlos Tavares; bem como representantes de várias IPSS´s e associações da região, reforçando o carácter comunitário e solidário da iniciativa.
Ao longo do dia, passaram pelo encontro cerca de 500 participantes, provenientes de diferentes paróquias da Diocese do Porto, num ambiente de oração, convívio e partilha dedicado às pessoas mais frágeis. A organização assegurou igualmente o acompanhamento de todos os participantes através de uma equipa de quatro médicos e duas enfermeiras, garantindo o apoio necessário aos idosos e doentes presentes.
O programa incluiu o acolhimento dos participantes, a recitação do Terço, a celebração da Eucaristia presidida pelo Bispo Auxiliar do Porto, almoço partilhado, “Adoração ao Santíssimo” e testemunhos.
“Os mais frágeis não são esquecidos”
Em declarações ao Voz de Cambra, o Bispo Auxiliar do Porto, D. Roberto Rosmaninho Mariz explicou que o Dia Diocesano do Frágil traduz, de forma muito concreta, a missão da Diocese de estar próxima daqueles que vivem situações de maior vulnerabilidade.
Segundo o prelado, este encontro une a espiritualidade do Movimento da Mensagem de Fátima ao cuidado pelos idosos e doentes, lembrando que muitos deles não conseguem deslocar-se autonomamente ao Santuário de Fátima.
“Esta celebração manifesta de um modo muito concreto e muito real que aqueles que vivem numa condição de fragilidade de saúde não são esquecidos nem abandonados. Pelo contrário, aqui mostramos a nossa presença, procurando traduzir um cuidado que é contínuo ao longo do ano”, afirmou.
D. Roberto Rosmaninho Mariz destacou ainda que este acompanhamento vai muito além das comunidades cristãs, envolvendo também instituições da área da saúde e da ação social, numa rede de proximidade com quem mais necessita.
Castelões foi escolhido pelo trabalho desenvolvido ao longo dos anos
Questionado sobre a escolha de São Pedro de Castelões para acolher a edição deste ano, o Bispo Auxiliar destacou o dinamismo do Movimento da Mensagem de Fátima na paróquia.
“São Pedro de Castelões tem uma presença muito forte no Movimento da Mensagem de Fátima e merece uma palavra de gratidão e reconhecimento pelo trabalho que aqui é desenvolvido”, afirmou, sublinhando o apoio permanente prestado aos peregrinos, idosos e doentes, que encontram na comunidade “conforto, presença, alento e esperança”.
Também o assistente espiritual do Secretariado Diocesano do Porto, do Movimento da Mensagem de Fátima da Diocese do Porto, Mário Jorge explicou ao Voz de Cambra que a escolha dos locais é rotativa, procurando levar esta celebração às várias comunidades onde existem secretariados ativos do Movimento da Mensagem de Fátima.
“Castelões tem um secretariado muito forte e muito grande. Este encontro não é apenas para quem pertence ao Movimento da Mensagem de Fátima, mas está aberto a todos. O importante é que continue a realizar-se e a chegar às pessoas”, referiu.
“A Igreja continua a caminhar com eles”
Para o sacerdote, a iniciativa representa uma das expressões mais importantes da missão da Igreja junto das pessoas mais vulneráveis.
“Além de olharmos para a fragilidade daqueles que passam necessidades e, muitas vezes, vivem no isolamento, este encontro demonstra que continuam a fazer parte integrante da nossa vida. Não estão abandonados, não estão sós. A Igreja caminha com eles, ajudando-os a viver esta etapa da vida com esperança e confiança”, afirmou.
Acrescentou ainda que o Movimento da Mensagem de Fátima procura olhar para o doente não apenas como alguém que precisa de ajuda, mas também como alguém que continua a ter muito para oferecer à comunidade cristã.
“Uma oportunidade que deixará marca”
Para a Paróquia de São Pedro de Castelões, acolher uma celebração desta dimensão constituiu um momento particularmente significativo.
O pároco, padre Luís Delindro, afirmou ao Voz de Cambra que receber o Dia Diocesano do Frágil foi simultaneamente uma honra e uma responsabilidade.
“É a primeira vez que acolhemos uma celebração diocesana do Movimento da Mensagem de Fátima. Foi uma oportunidade muito bonita para reforçar o dinamismo do movimento e estreitar relações com outras paróquias e instituições do concelho”, referiu.
Na sua perspetiva, esta celebração deixará uma marca duradoura, sobretudo junto dos participantes mais idosos.
“Para muitas destas pessoas, se o encontro fosse realizado mais longe, dificilmente conseguiriam participar. Assim, tiveram oportunidade de viver um dia diferente, de oração, convívio e esperança.”
“O mais importante era que todos se sentissem acolhidos”
Também o Secretariado do Movimento da Mensagem de Fátima de São Pedro de Castelões, responsável pela organização local, fez um balanço positivo da iniciativa.
Em declarações ao Voz de Cambra, os responsáveis afirmaram que este encontro foi vivido “com enorme alegria, mas também com grande sentido de responsabilidade”.
“O nosso maior objetivo era que cada participante regressasse a casa com a certeza de que não está sozinho e de que a Igreja continua presente na sua vida. Ao longo das últimas semanas houve um grande envolvimento dos mensageiros e de muitos voluntários da comunidade, que prepararam este dia com dedicação para que todos se sentissem verdadeiramente acolhidos”, afirmou os responsáveis pelo Movimento.
O secretariado considera ainda que a presença de participantes vindos de diferentes pontos da Diocese, bem como do Bispo Auxiliar do Porto, constituiu um motivo de orgulho para a paróquia.
“Esperamos que este encontro deixe uma marca de esperança e fortaleça ainda mais o compromisso de continuarmos a acompanhar os mais frágeis ao longo de todo o ano”, referiu.
A terminar a celebração, ficou a mensagem que marcou todo o encontro: a de uma Igreja que procura “estar próxima de quem mais precisa, combatendo a solidão e lembrando que ninguém deve sentir-se esquecido”. Como resumiu o Bispo Auxiliar do Porto, “desejamos construir uma sociedade onde a solidão e o esquecimento não tomem conta de nós, mas onde todos nos cuidemos e ajudemos mutuamente no caminho da vida”.










