Luís Gonçalo, José Bastos, José Pinheiro e André Martins da Silva estiveram juntos na cerimónia que assinalou quatro décadas da Associação de Municípios das Terras de Santa Maria. Eduardo Coelho, já falecido, foi representado pelo filho, João Coelho, acompanhado pela mãe, Cristina Coelho. António Fonseca não conseguiu estar presente.
Cristina Maria Santos
Diferentes gerações da liderança autárquica de Vale de Cambra voltaram a encontrar-se, esta sexta-feira, em S. João da Madeira, numa cerimónia que homenageou os homens e mulheres que, ao longo de quatro décadas, assumiram responsabilidades nos municípios que integram a Associação de Municípios das Terras de Santa Maria (AMTSM).
As comemorações do 40.º aniversário da Associação permitiram reunir os antigos presidentes da Câmara de Vale de Cambra Luís Gonçalo Pinho (1985-1993), José Bastos (2004-2013) e José Pinheiro (2013-2017) com o atual presidente, André Martins da Silva, numa homenagem que atravessou diferentes períodos da história recente do concelho. O antigo presidente da Câmara, António Fonseca (1982-1885/1993-2001) não pôde estar presente.
Também Eduardo Coelho, antigo presidente da Câmara (2001-2004) já falecido, foi recordado na cerimónia. A homenagem foi recebida pelo filho, João Coelho, acompanhado pela mãe, Cristina Coelho, viúva do antigo autarca.
Foi um dos momentos de maior significado local de uma cerimónia que juntou atuais e antigos autarcas de Arouca, Espinho, Oliveira de Azeméis, S. João da Madeira, Santa Maria da Feira e Vale de Cambra, reconhecendo o contributo das diferentes gerações que participaram na construção da história da Associação.
Vale de Cambra faz parte desta história desde 1993
A Associação de Municípios das Terras de Santa Maria foi criada em 1985 pelos municípios de Oliveira de Azeméis e S. João da Madeira.
Vale de Cambra aderiu em 1993, passando a integrar um projeto de cooperação intermunicipal que viria posteriormente a receber Arouca e Santa Maria da Feira, em 2000, e Espinho, em 2016.
São hoje seis municípios que, apesar das características e identidades próprias, partilham relações económicas, sociais, culturais e territoriais e procuram encontrar respostas conjuntas para problemas que ultrapassam as fronteiras de cada concelho.
A presença dos antigos presidentes de Vale de Cambra nas comemorações assumiu, por isso, um significado que ultrapassou a homenagem individual, evocando também 33 anos de participação do município na AMTSM.
Ao longo desse período, diferentes executivos municipais, orientações políticas e gerações de autarcas mantiveram Vale de Cambra integrado numa estrutura assente na cooperação entre os municípios das Terras de Santa Maria.
André Martins da Silva: parceria “muito importante para Vale de Cambra”
O Voz de Cambra esteve presente na cerimónia e questionou o atual presidente da Câmara sobre a importância desta parceria para o concelho.
André Martins da Silva, que é também vogal do Conselho Diretivo da AMTSM, não tem dúvidas quanto à relevância da Associação.
“Esta parceria que existe na Associação de Municípios é muito importante para Vale de Cambra porque, como foi dito na mensagem do ministro, os problemas resolvem-se melhor quando todos trabalhamos na mesma direção.”
O presidente da Câmara considera que a dimensão intermunicipal permite aumentar a capacidade de intervenção de cada um dos concelhos.
“A Associação de Municípios permite-nos que a nossa força seja maior e, acima de tudo, que a nossa voz se escute mais longe e seja mais alta e que consigamos resolver os problemas que são comuns a todos os municípios.”
Para André Martins da Silva, essa capacidade conjunta pode traduzir-se também em respostas mais eficazes para Vale de Cambra.
“Para nós é muito importante termos esta força para poder resolvê-los de uma forma mais rápida e melhor para todos.”
Ambiente é um dos desafios mais imediatos
Questionado pelo Voz de Cambra sobre os grandes desafios que serão colocados à Associação, o autarca valecambrense apontou a área ambiental como uma das prioridades do presente.
“Neste momento temos um grande desafio a nível ambiental. Tem muito a ver com aquilo que é a capacidade de dar resposta às necessidades dos municípios. Este é, precisamente, o nosso grande desafio.”
André Martins da Silva defende, no entanto, que a Associação deve alargar progressivamente o seu campo de intervenção.
“Temos que olhar para o futuro e perceber que aquilo que é o trabalho feito nesta casa tem que ir muito para lá da área ambiental e do bem-estar animal.”
O presidente da Câmara identifica áreas em que os seis concelhos poderão ganhar com uma estratégia comum.
“Temos que passar a olhar para outras áreas em comum, do ordenamento do território, da captação de investimento, da parte turística, para conseguirmos potenciar o território comum todo.”
O objetivo, acrescentou, passa por olhar para as Terras de Santa Maria como um território conjunto, aproveitando aquilo que cada município tem para oferecer.
“Deixando de lado aquelas que são as diferenças de cada um dos territórios, olhamos para o território comum todo para conseguirmos promover e alavancar este nosso território, que é fantástico e extraordinário.”
Metalurgia, vales e tradições representam Vale de Cambra
A identidade valecambrense esteve também representada num dos momentos mais simbólicos do aniversário: a inauguração de um mural dedicado às quatro décadas da Associação.
A obra reúne elementos representativos dos seis municípios e, no caso de Vale de Cambra, foram escolhidas referências à metalurgia, aos vales e às tradições.
A escolha evidencia duas dimensões particularmente marcantes do concelho: por um lado, a paisagem, a ligação à serra e às tradições locais; por outro, a sua forte vocação industrial e empresarial, com particular expressão na metalomecânica, moldes e indústria transformadora.
Essa componente voltou a estar presente na entrega das lembranças aos homenageados. Cada município foi representado por um jovem caracterizado com elementos da respetiva identidade e Vale de Cambra teve como representante um jovem vestido de metalúrgico.
Uma homenagem a quem construiu a Associação
O reconhecimento aos antigos presidentes foi transversal às intervenções realizadas durante a cerimónia.
O presidente do Conselho Diretivo da AMTSM, Joaquim Jorge, salientou que as comemorações serviam também para agradecer a todos aqueles que, através do seu trabalho, ajudaram a construir os 40 anos da instituição.
O responsável destacou a capacidade demonstrada pelos diferentes presidentes de Câmara para, apesar das diferenças e divergências, encontrarem pontos de entendimento em torno de interesses comuns.
“Juntos somos mais fortes”, foi uma das mensagens que deixou e que acabou por sintetizar o espírito das várias intervenções.
Também Margarida Belém, presidente da Assembleia Intermunicipal da AMTSM, considerou que os 40 anos representam “uma história de pessoas, de vontades e de confiança”.
Ao caracterizar os seis municípios, destacou particularmente Vale de Cambra pela ligação à serra, à terra e às tradições e pela sua força industrial e empresarial.
“Não precisamos de ser iguais para caminharmos juntos. Precisamos é de saber aquilo que temos em comum”, afirmou.
Castro Almeida recorda importância da cooperação
Também o ministro da Economia e da Coesão Territorial, Castro Almeida, que participou através de uma mensagem gravada em vídeo, prestou homenagem aos presidentes de Câmara que fizeram parte da história da Associação.
O governante recordou os autarcas já falecidos e aqueles que continuam a acompanhar o percurso da instituição e considerou a AMTSM uma das mais antigas e duradouras experiências de associativismo municipal do país.
“Há problemas que os municípios resolvem melhor quando trabalham em conjunto”, salientou.
Uma ideia que encontrou eco nas palavras de André Martins da Silva e que ajuda a explicar a continuidade de Vale de Cambra nesta estrutura desde 1993.
Uma fotografia de diferentes gerações do poder local
Mais do que assinalar uma efeméride, a cerimónia dos 40 anos proporcionou, assim, um encontro pouco habitual entre diferentes gerações de presidentes de Câmara de Vale de Cambra.
Luís Gonçalo, José Bastos, José Pinheiro e André Martins da Silva estiveram lado a lado numa homenagem que recordou também aqueles que não puderam estar presentes e os que já faleceram.
No caso de Eduardo Coelho, a presença do filho João Coelho e da viúva Cristina Coelho deu continuidade, através da família, à memória do antigo presidente.
Uma imagem que acaba por condensar parte da história autárquica recente de Vale de Cambra e, simultaneamente, recordar que o município faz parte, há 33 anos, de um projeto intermunicipal que chega agora às quatro décadas de existência.








