A presidente da Assembleia Municipal de Vale de Cambra, Adriana Rodrigues, sublinhou a importância da memória coletiva e da dignidade dos ex-combatentes durante a apresentação do livro “A guerra do Ultramar e os combatentes de Vale de Cambra”, da autoria de Martinho Almeida, realizada este domingo no Centro de Artes e Espetáculos (CAE).
Cristina Maria Santos
A sessão integrou as comemorações da Revolução dos Cravos no concelho e reuniu numerosos participantes, entre antigos combatentes, familiares e comunidade em geral.
Na sua intervenção, Adriana Rodrigues destacou que a evocação do 25 de Abril deve ser também um momento de reflexão sobre o percurso coletivo do país. “É uma data que celebra a liberdade, mas que nos convoca também para olhar para o nosso percurso com verdade, responsabilidade e compreensão”, afirmou, enquadrando a apresentação da obra nesse exercício de memória.
A presidente da Assembleia Municipal de Vale de Cambra recordou o impacto profundo da Guerra do Ultramar na sociedade portuguesa, particularmente nas comunidades locais. Referiu os jovens que partiram para o conflito e as famílias que ficaram, enfrentando a ausência e a incerteza com coragem, deixando uma saudação especial aos ex-combatentes presentes e aos seus familiares.
Sobre a obra de Martinho Almeida, destacou o seu valor enquanto contributo para a preservação da memória coletiva, reunindo nomes, imagens e testemunhos que ajudam a compreender uma geração marcada pela guerra. Sublinhou ainda a “dignidade silenciosa” com que muitos enfrentaram o conflito, enaltecendo a coragem, o sentido de dever e a humanidade demonstrados em circunstâncias adversas.
“Mais do que um registo, esta obra dá visibilidade a percursos individuais que partilham uma experiência comum”, afirmou, acrescentando que o livro constitui um legado coletivo que atravessa gerações e marca profundamente a identidade de Vale de Cambra.
Na sua intervenção, Adriana Rodrigues destacou também o papel da Igreja no apoio espiritual aos militares e às suas famílias durante o período da guerra, considerando essa dimensão essencial para compreender o contexto vivido.
Em nome da Assembleia Municipal, deixou um agradecimento ao autor pelo rigor e dedicação, bem como uma mensagem de reconhecimento aos ex-combatentes: “Enquanto houver reconhecimento, saberemos honrar quem serviu. E enquanto soubermos honrar, não haverá esquecimento.”

