O presidente da Câmara Municipal de Vale de Cambra, André Martins da Silva, anunciou este domingo o avanço da construção de um memorial de homenagem aos ex-combatentes do concelho, durante a apresentação do livro “A guerra do Ultramar e os combatentes de Vale de Cambra”, da autoria de Martinho Almeida.
Cristina Maria Santos
A sessão, integrada nas comemorações da Revolução dos Cravos, decorreu no Centro de Artes e Espetáculos (CAE) e reuniu centenas de pessoas, evidenciando o forte envolvimento da comunidade local em torno da memória dos antigos combatentes.
No momento mais marcante da sua intervenção, o autarca assumiu publicamente o compromisso: a Câmara Municipal “irá avançar com a execução do Memorial em Honra, Memória e Gratidão de todos os valecambrenses que estiveram na Guerra do Ultramar”. A iniciativa surge como resposta ao dever de reconhecimento coletivo para com os cerca de 1300 homens do concelho que participaram no conflito, 15 deles mortos em combate.
André Martins da Silva destacou ainda o papel ativo da autarquia na concretização da obra, sublinhando o apoio financeiro desde o início, bem como a disponibilização de recursos humanos e espaços municipais para a sua realização. O autarca reforçou que o livro representa “um ato de justiça, de reconciliação com a nossa história e de gratidão” para com aqueles que viveram uma das fases mais marcantes do século XX português.
A elevada afluência ao evento levou a constrangimentos na capacidade da sala, situação que motivou um pedido público de desculpas por parte do presidente. Apesar de a autarquia ter proposto alternativas como o Pavilhão Municipal e preparado espaços adicionais com transmissão em direto, muitos não conseguiram assistir presencialmente. “Peço desculpa aos que estão aqui presentes, aos que não conseguiram estar e aos que vieram de longe”, afirmou.
Durante o discurso, o presidente convidou os ex-combatentes presentes a levantarem-se, gesto acompanhado por uma forte salva de palmas, simbolizando o reconhecimento da comunidade. Recordou ainda os que não regressaram e destacou o impacto duradouro da guerra nas famílias e na sociedade local.
A obra de Martinho Almeida foi elogiada pelo rigor e profundidade, reunindo testemunhos, fotografias e documentos que preservam a memória coletiva do concelho. Para o autarca, o livro “vem preencher um silêncio” e constitui uma ferramenta essencial para que as novas gerações compreendam o passado.
A encerrar, André Martins da Silva deixou uma mensagem de gratidão dirigida aos combatentes e suas famílias, sublinhando que a publicação agora apresentada garante que “a história de Vale de Cambra nunca esquecerá os seus filhos que combateram no ultramar”.

